sábado, 18 de agosto de 2012

Armageddon 2419 DC

Na década de 1920, a ficção científica dava os primeiros passos em direção a formar um gênero estabelecido no mercado editorial. Rolava a euforia pós-guerra regada com promessas de redenção pela tecnologia, que dava ao gênero uma boa perspectiva. O que ninguém imaginava é que o mundo estava caminhado para um gigantesco desastre financeiro, que seria justamente um dos fatores mais importantes para transformar aquela literatura, inspirada em Jules Verne e H. G. Wells, numa das mais lucrativas formas de escapismo para uma legião de vítimas de uma crise econômica mundial.
A novela "Armageddon 2419 DC", de autoria do escritor Philip Francis Nowlan (1888-1940) e publicada em 1928 na revista Amazing Stories, antecipava o clima daquela situação dramática. Contudo, a novela não fez nenhum sucesso e teria passado despercebida se não tivesse sido base para uma outra criação do autor, a série de tiras de quadrinhos Buck Rogers, que estreou nos jornais em 1929 com desenhos de Dick Calkins (1895-1962), e tornou-se um sucesso instantâneo no mundo inteiro, inclusive no cinema. Apesar disso, a novela original não teve a mesma sorte. Relegada à condição de mera curiosidade para os fãs do personagem, nunca havia sido publicada no Brasil. Até agora.
Animada pelo crescimento do gênero fantástico no mercado nacional, a editora Dracaena decidiu investir na tradução dessa novela, que chega às livrarias num volume de 116 páginas e uma capa bastante chamativa, apesar do engano no nome do autor. Conta a história de Anthony Rogers, ex-piloto da Primeira Guerra que, preso numa caverna, adormece por centenas de anos para acordar no século 25, num mundo cientificamente avançado mas ainda vítima dos mesmos problemas do seu próprio tempo, como a guerra que ainda grassa entre as cidades-estado de mundo arruinado.
A história de Armageddon 2419 DC é ingênua como a maior parte da fc escrita nos primeiros tempos da literatura pulp, mas apresenta ideias originais, como mochilas-foguete, cintos anti-gravidades, pulseiras de comunicação, armas de raios e outras engenhocas que iriam tornar-se marcas registradas do gênero.
Mesmo que continue sendo apenas uma curiosidade, vale a pena dar uma olhada neste clássico que deve ser tão divertido quanto sua versão desenhada.

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