sexta-feira, 30 de abril de 2010

Antologias safra 2010


A exemplo do que ocorreu em 2009, este ano parece continuar o mesmo caminho no que se refere a atividade dos escritores-fãs no ambiente editorial. A tendência é forte para as antologias temáticas que, dessa forma, substituem o trabalho que antes era realizado pelos fanzines.
Há, neste momento, um espaço amplo para autores e editores que buscam mais expor seu trabalho do que explorá-lo comercialmente, uma vez que a maior parte das antologias não demonstra interesse em disputar espaço nas estantes das livrarias. Na verdade, as antologias sequer chegam às livrarias: são vendidas pelo correio ou de mão em mão, exatamente como faziam os fanzines no passado. Nada de mais aqui, se era bom para os fanzines, talvez seja bom para as antologias amadoras. Mas eu sou de opinião que editoras comercialmente estabelecidas deviam ter coragem de arriscar um pouco mais, distribuindo os livros no mercado formal.
Mas, enfim, o que vale para o leitor é que os livros existem e poderão ser comprados um dia. Já é possível encontrar exemplares usados de antologias publicadas no passado recente. Mas sempre fico um pouco constrangido todas as vezes que encontro, à venda num sebo, um exemplar ainda com a dedicatória do autor, porque ilustra amargamente a situação bizarra do mercado editorial de FC&F no Brasil.
Para quem quiser garantir um exemplar sem dedicatória a um desconhecido, é o momento de adquirir os livros que foram lançados este ano e ainda estão disponíveis.
No ramo das publicações virtuais, temos Beijos e névoas, de Celly Monteiro, Jossi Borges, Mia Hertz, Rebis Kramrisch & Telyka Madelynne, publicado em versão digital pela Amor & Livros; e a gratuita 2.0.1.2, organizada por Iam Godoy para a Raven's House Brasil.
Já no formato real, em papel, temos Meu amor é um vampiro, organizado por Eric Novello & Janaina Chervezan para a editora Draco; Fiat voluntas tua II, organizado por Monica Sicuro & Rubia Cunha para a editora Multifoco; O grimoire dos vampiros, organizada por Georgette Sillen para a Ed. Siderata; Poe 200 anos, organizada por Ademir Pascale & Maurício Montenegro para a editora All Print; No mundo dos cavaleiros e dragões, também organizada por Ademir Pascale para a mesma editora; Sombrias escrituras, organizado por Felipe de Andrade Pereira para a Cidadela Editorial; e Paradigmas 4, a única antologia desta relação que não é exclusivamente de horror, organizada por Richard Diegues para a sua própria editora, a Tarja Editorial.
Por enquanto, predominam as antologias de horror mas, a cada semana, surgem notícias de novas antologias, abertas a autores que quiserem exibir seus dotes literários, com opções para todos os gostos. Tratarei de algumas delas em breve.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Chaos FM 1


Completando a nota "Hollandidades", postada há poucos dias, está disponível para download a primeira edição do fanzine Chaos FM, de Roberto de Hollanda, inaugurando uma nova aventura de fantasia, que desta vez envolve, além da magia, conceitos cosmológicos, teologia e sociedades secretas.
A história conta sobre uma garota que sonhou que Deus lhe falava uma determinada palavra. Depois do sonho, toda vez que ela repete a tal palavra para alguém, essa pessoa explode. Ela passa a se divertir com o novo poder, chamando a atenção de sociedades religiosas secretas que decidem detê-la a todo custo.
A edição será lançada futuramente em papel, mas somente nesta versão digital será possível dispor das capas em cores. Aproveite.
As imagens foram digitalizadas a partir dos originais e pode se perceber os esboços e as pinceladas do ilustrador, outro detalhe que certamente se perderá na edição impressa.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Cidade do terror

Um novo livro do escritor carioca Miguel Carqueija está disponível em edição eletrônica para download gratuito. Trata-se de Cidade do terror, novela que empresta personagens do anime Saillor Moon para contar uma história sobre um futuro tenebroso em que a cidade do Rio de Janeiro se transformou numa megalópole de torres gigantescas, com a população pobre vivendo nas violentas regiões inferiores enquanto as classes privilegiadas ocupam as áreas mais altas, uma ideia recorrente na ficção científica que se justifica apenas por ser uma assumida fanfic, escrita para os fãs das personagens japonesas. A história também dialoga com o universo criado pelo escritor H. P. Lovecraft.
O autor afirma que o enredo foi inspirado num pensamento do escritor norteamericano Clifford D. Simak que considerou que, num determinado momento, o destino do mundo pode depender da ação de uma única pessoa; "se esta pessoa falhar, o mundo poderá se perder."
O prefácio é assinado por Álvaro Domingues, do Blogue do Pai Nerd, e foi publicada pelo site Contos Grotescos de Paulo Soriano. A capa usa um detalhe do cartaz original do filme Metrópolis, de Fritz Lang.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Poe 200 anos


Há algumas semanas recebi um exemplar da antologia Poe 200 anos, organizada por Ademir Pascale e Maurício Montenegro, e publicada em 2010 pela editora All Print, em homenagem aos dois séculos do nascimento do escritor norteamericano Edgar Allan Poe. A efeméride em si foi comemorada em 2009, mas o livro só saiu mesmo em 2010.
A antologia foi extensamente divulgada na internet e eu já falei dela neste blogue. O prefácio é do autor carioca Miguel Carqueija, fã confesso do escritor, que também teve um conto publicado na antologia. Carqueija queria que eu resenhasse o livro aqui, mas eu vou reservar a resenha completa para o Anuário 2010, a ser publicado somente no ano que vem - agora em 2010 deverá sair a edição referente a 2009. Mas não vou deixar atender meu colega e fazer alguns comentários sobre o livro em questão.
Foram reunidos 22 trabalhos de qualidade irregular, a maior parte de autores com pouca experiência literária, mas isso não impediu que o resultado fosse bastante razoável. A maioria dos textos está bem escrito e como são contos curtos – o livro inteiro tem apenas 140 páginas – lê-se muito rapidamente.
Destaco quatro contos em especial: "A máscara de Vênus", a única ficção científica da antologia, em que um homem recria a civilização na Antártica depois do fim do mundo; "Relíquia", de Duda Falcão, fantasia metalinguística sobre um museu maravilhoso que reúne objetos raros capturados dos livros; "O homem afortunado", de Kathia Brienza, um conto cínico e bem humorado sobre um acadêmico que usa de trapaça para conquistar seus objetivos, e "O quarto caso de Dupin", justamente o conto de Carqueija, o mais longo da antologia, divertido e com um leve tom de farsa, no qual o famoso detetive resolve mais um caso pitoresco para a polícia francesa.
Muitos contos têm estilo e histórias parecidas, mas a grande sacada do livro, e que lha dá uma sustentação bastante significativa, é o fato de que cada autor determinou um conto de Poe para homenagear, criando um diálogo imediato entre os contos brasileiros e os clássicos do mestre, contaminando o livro com a aura de Poe. Há uma recorrência natural aos contos mais famosos do autor, como "O gato preto" ou "A queda da casa de Usher" mas, ainda assim, o resultado é uma leitura estimulante que dá vontade de ler e reler os textos originais de Poe. E isso é mérito mais que suficiente para esta antologia simpática e despretenciosa.
O livro pode ser encomendado no saite da editora, aqui.

sábado, 24 de abril de 2010

PKD nunca é demais


O interessante blogue Capacitor Fantástico publicou a tradução de um dos mais curiosos e perturbadores artigos de Philip K. Dick (1928-1982), importante escritor norteamericano que dedicou praticamente toda a sua carreira ao gênero da ficção científica, com diversos romances, novelas e contos numa bibliografia que têm inspirado a indústria do cinema nas últimas décadas, e resultou em filmes como Blade Runner, O vingador do futuro e Minority report, entre outros.
Trata-se do ensaio "Como construir um universo que não desmorone dois dias depois", que vai muito mais fundo que apenas elaborar orientações práticas à artistas e escritores.
É um depoimento muito pessoal, no qual Dick conta os mais importantes conceitos que regeram seu trabalho, sua angustiante busca pela definição de "realidade", a famosa epifania religiosa que marcou sua vida e o que ele concluiu disso tudo.
É uma leitura reveladora sobre o alcance das discussões que a ficção científica de alto nível elabora, bem distante dos faroestes espaciais com raios laser como o gênero é geralmente encarado.
O artigo foi postado em cinco partes, todas já disponíveis. O site também está publicando, em capítulos, o mais conhecido romance do autor, O caçador de andróides, outra leitura que pode causar sérios efeitos colaterais.
Nas livrarias, vale a pena procurar pelos romances do autor, traduzidos pela Editora Aleph, como Ubik (2009) e Valis (2007).
Você acha que Matrix e Lost são viajandonas? Leia esse ensaio e começe a entender até onde vai a toca do coelho, na versão psicodélica de Dick.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Hollandidades


Recebi correspondência do quadrinhista carioca Roberto Hollanda dando noticias sobre suas decisão de retomar os fanzines, e já mandou de cara exemplares de seus mais novos trabalhos: Arlequim 18 e Nouvelle Magique 2, que mantêm a qualidade narrativa vista nas edições anteriores.
Na nova edição de Arlequim, os filhos mutantes de Dorothy falham na missão de resgate de Arlequina, e acabam aprisionados junto com ela, nas masmorras do Marquês de Rabicó. Dorothy assume então o seu destino, manifesto anos antes – e aqui descobrimos como a Dona Benta recuperou sua mocidade – e entra em ação no momento em que um de seus filhos é ameaçado de morte. Agora é Dorothy quem está com a palavra, e ela pode dizer o que quiser. A edição traz textos sobre a orixá Iansâ e sua correlata sincretista Santa Bárbara, que tem tudo a ver com a história em questão.

Já no segundo número de Nouvelle Magique, as jovens quadrinhistas Livia e Miele são abordadas por um casal que revelam ser quadrinhistas europeus de intenções nada amistosas. As meninas terão de fazer uso dos conhecimentos secretos recém-adquiridos para sair dessa sinuca de bico.

Nouvelle Magique tem pressupostos interessantíssimos. A começar, trata-se de uma aventura que ocorre no inicio do século XX e o autor utiliza recursos gráficos que emulam os quadrinhos da época. Na realidade dessa história, a arte dos quadrinhos é mais que simples comunicação, é um atributo mágico poderoso, atrás do qual se esconde uma perigosa sociedade secreta.
Guardadas as devidas proporções, lembra ligeiramente alguns conceitos do mangá ROD, com o uso de garotas jovens como protagonistas e a magia emanando de uma atividade artística (no caso de ROD, é a literatura). Mas Nouvelle Magique tem personalidade própria e deve evoluir nas próximas edições graças ao talento e a inteligência de seu autor.
Tanto Arlequim como Nouvelle Magique são ótimas como quadrinhos, mas eu fico me perguntando o que Roberto Hollanda poderia inventar se resolvesse trabalhar unicamente com a palavra, escrevendo novelas e romances. Não tenho dúvidas de que seria algo muito original no ambiente literário brasileiro.
Hollanda inaugurou há poucas semanas o blogue bilingue Hollanda Comics, através do qual pretende compartilhar materiais de sua criação. Contudo, os fanzines não estão disponíveis online, é preciso solicitar ao autor através do endereço Rua Sousa Aguiar, 322, casa 5, Rio de Janeiro/RJ, CEP 20720-035. Os zines são baratinhos, aproveite e compre a coleção inteira, que está disponível e vale muito a pena.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Quase um podcast




O editor e jornalista Marcello Simão Branco, que co-edita comigo o Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica, foi entrevistado na Radio Unesp FM no programa Perfil Literário, de Oscar D´Ambrósio, cujo arquivo de áudio está disponível aqui.
Marcello fala sobre os muitos livros que editou, como por exemplo Outras copas outros mundos e A ficção curta de Robert Silverberg, e também sobre o Anuário.
O programa é apoiado em entrevistas e muitas outras personalidades do fandom já passaram por lá, como Rosana Rios, Doris Fleury, Martha Argel, Giulia Moon, Helena Gomes, Braulio Tavares, Fabio Fernandes, Roberto de Sousa Causo, Ataide Tartari, Ivan Carlos Regina, André Vianco, André Carneiro e muitos outros, além de autores do mainstream como Fernando Bonassi, Moacir Cylar e Ignácio de Loyola Brandão, entre outros. Os episódios são dinâmicos, curtos e não cansam o ouvinte. Vale a pena vasculhar o diretório e escutar tudo.
Perfil Literário vai ao ar à 0h, de segunda a sexta, e tem duração de 30 minutos.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O mundo não acaba em 2012




Está tão fácil publicar livros e eles estão saindo com tanta volúpia que a gente até se esquece que um dia os fãs apoiavam suas publicações em fanzines e edições virtuais distribuídas pela internet. Alguma coisa ainda sai no formato digital, é claro, mas a proporção é cada vez menor em relação ao geral.
Por isso, até estranhei ao receber a divulgação da antologia digital O mundo não acaba em 2012, organizada por Iam Godoy pela Havens House Brasil, selo que abriga os fanzines eletrônicos Flores do Lado de Cima e Fun House Xtreme, entre outras iniciativas.
O mundo não acaba em 2012 reúne 13 contos de horror em que o tema é a cada vez mais popular falácia de que algum tipo de catástrofe cósmica vai acontecer em 2012. Não é uma profecia nem nada, mas enfim, o povo adora essas coisas de fim de mundo e a Ravens House decidiu que era um tema legal para uma antologia. A ideia central é que 2012 não será de fato o fim do mundo, mas um recomeço sob o paradigma do horror.
O volume traz contos de M. D. Amado, Renato Rosatti, Adriana La Terza, Iam Godoy, R. Raven, Átila Siqueira, Pedro Tennaxx, Oscar Mendes Filho, Senhor Arcano, Giovani Coelho, André Bozzetto Jr, Adriano Siqueira e Diego Alves Vergílio. As ilustrações são de Sandro Castelli.
O livro pode ser baixado gratuitamente aqui.
É bom perceber que ainda existem fãs que gostam de ser fãs, sem a pretensão de serem profissionais. O fandom era muito mais divertido quando as coisas eram predominantemente assim.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Só pode restar um


Já faz alguns tempo que o fandom se acostumou aos pseudônimos dos autores de FC&F. A mania não é restrita ao gênero e é praticada há séculos por autores tão importantes como Mark Twain e Malba Tahan, por exemplo.
Na FC, Isaac Asimov publicou como Paul French, e Stephen King como Richard Bach. No Brasil, Rubens Teixeira Scavone estreou no gênero assinando Senbur T. Enovacs, um anacrônimo de seu nome e muita gente achou que se tratava de um escritor tcheco, e Gerson Lodi-Ribeiro fez carreira com sua persona feminina, Carla Cristina Pereira.
Há alguns meses estamos acompanhando o trabalho de Luiz Bras, pseudônimo que o importante escritor Nelson de Oliveira criou para assinar livros infanto-juvenis. Ambos, Bras e Oliveira, chegaram recentemente às livrarias com romances de ficção fantástica que devem agradar aos leitores.
Luiz Bras publicou Babel Hotel, na coleção Diálogo da editora Scipione. Trata-se de uma releitura do dia que se repete indefinidamente, visto em filmes de cinema como O feitiço do tempo e 12:01, na série recente série de TV Day break, em diversos episódios de outros seriados (X files, Supernatural e até na série brasileira A grande família). Eis um breve trecho do texto de divulgação da editora: "Um grupo de sete pessoas, totalmente diferentes umas das outras, começa a sentir os efeitos misteriosos de um "feitiço" do tempo. Todo dia, na pequena cidade de Cobra Norato, um desses personagens morre. E renasce no dia seguinte, que é o mesmo de ontem. E é sempre sexta-feira 13."
Enquanto isso, Nelson de Oliveira aparece com Poeira: demônios e maldições, pela editora Língua Geral, Coleção Ponta de Lança, uma história que dialoga com a "Biblioteca de Babel" de Jorge Luiz Borges e Farenheit 451, de Ray Bradbury. A editora resume o livro assim: "em um tempo futuro, numa cidade não nomeada, um mundo onde a publicação de livros foi estritamente proibida, novas obras começam a surgir, misteriosamente, na biblioteca chefiada pelo temido Frederico e depois em todo o planeta." Um trecho da obra pode ser lida aqui. As premissas são instigantes e prometem fortes emoções. O reconhecido talento de Oliveira também é uma ótima recomendação.
Na coluna "A literatura na poltrona", no O Globo, José Castelo conta uma história curiosa: que Oliveira estaria usando estes lançamentos quase simultâneos para assinalar uma mudança radical em sua carreira: a substituição definitiva de Oliveira por Bras. Uma resenha de Roberto Causo a este novo e derradeiro livro de Oliveira, no Terra Magazine, acena com a mesma informação.
Essa é uma novidade. Nenhum dos autores do fandom que um dia adotou um heteronômio jamais abandonou seu próprio nome em favor dele. Sinal que Oliveira, agora Bras, está muito convicto de que a FC&F será seu caminho literário de agora em diante. Sorte nossa.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

007


Chegou hoje às bancas de revistas de São Paulo uma das coleções mais interessantes já oferecidas aos leitores brasileiros. Trata-se da Coleção Oficial de Carros de James Bond 007, da editora paulista GeFabbri, uma série de fascículos com a história de cada um dos veículos, entrevistas com os criadores da série, atores e dublês e os segredos das máquinas que o espião dirigiu em seus filmes.
Além disso, cada edição traz a miniatura em escala 1:43 de um dos glamurosos veículos. O primeiro número entrega o clássico Aston Martin visto em Goldfinger. Não falta nem mesmo o próprio James Bond ao volante e o esporão da roda, que é bem útil durante a aventura. O modelo vem fixado em um diorama protegido em uma caixa de acrílico.
Ainda aparecerão na coleção, entre outros carros de sonho, o famoso Lotus Esprit submarino, um charmoso Cintroen C2, um táxi Lada e até o MP Lafer brasileiro, visto em O foguete da morte.
A primeira edição chega as bancas ao preço de R$16,95, mas o segundo número já salta para a bagatela de R$39,95. Uma boa alternativa é a assinatura, que sai mais em conta, pode ser parcelada e ainda entrega três modelos exclusivos: um helicóptero, um blindado e um táxi numa cena cômica muito curiosa.
Mais informações sobre a coleção e detalhes sobre a assinatura no site da coleção, aqui.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Fun House Xtreme 15


A Raven's House Brasil, selo organizado por Iam Godoy e Rosana Raven que abriga uma série de iniciativas voltadas para a cultura soturna, distribuiu neste último final de semana, a primeira edição de 2010 do fanzine FunHouse Extreme, de número 15, quase que totalmente dedicado a arte dos quadrinhos e do cartum.
O artigo principal é uma homenagem ao cartunista Glauco, recentemente assassinado em São Paulo. Também publica entrevista com o quadrinhista Eduardo Manzano, da Editora Jupiter II, artigo sobre o grupo de teatro Black Cat Burlesque e muita divulgação de publicações, filmes e eventos da cena alternativa.
Um vídeo sobre a publicação foi disponibilizado aqui, e o fanzine, distribuído gratuitamente em arquivo digital, pode ser baixado aqui.
As edições anteriores do FunHouse podem ser baixadas a partir de seu blogue, aqui.

sábado, 10 de abril de 2010

Atrações da semana

Duas das mais interessantes iniciativas de FC&F na internet tiveram atualização nesta semana e justificam a atenção de fãs e interessados no gênero.

É só Outro Blogue, editado pelo escritor Tibor Moricz e recentemente comentado aqui, disponibilizou mais uma entrevista de sua série "De Bar em Bar", desta vez com o escritor e jornalista pernambucano Braulio Tavares.
As entrevistas dessa coluna têm estilo personalizado, mistura de ficção e não-ficção, uma brincadeira bacana e bem humorada. As vezes fica a impressão que Tibor modulou as respostas dos seus entrevistados para que eles pareçam mais agressivos do que geralmente são. Mas com o sempre muito tranquilo Tavares, isso não chega a acontecer, ainda mais porque a arma do autor contra a "violência" do ambiente - pois os cenários da entrevista sempre são algo insalubres - é a poesia.

A outra peça importante da semana é o novo episódio do Podespecular, "Vapores eletrônicos", um título inspirador para que os debatedores Paulo Elache, Edgar Smaniotto, Carlos Alberto Machado, Marco Ortiz e Rogério Brito diuscutam os contornos do steampunk, subgênero da ficção científica que tem recebido alguma atenção da mídia e dos fãs, e já se configura como um movimento tão importante quanto o dos fãs de Star Trek, Star Wars e vampiros. De fato, a onda steampunk dialoga de perto com a vampiromania, ao ponto do RPGMMO Vampire Wars, comentado aqui, dispôr adereços no estilo steampunk para decorar seus avatares.
Os debatedores têm idéias muito específicas sobre o que vem a ser steampunk e passam boa parte do programa definindo o que é e o que não é parte do subgênero, nem sempre concordando entre si, gerando uma tonelada de citações cujos links são disponibilizados na página que abriga o arquivo. O programa é longo, quase 90 minutos, mas vale a pena escutá-lo na integra. Os episódios anteriores também estão disponíveis e vale a pena escutar todos eles.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Raio Negro & Velta 2


Uma nova surpresinha para os fãs dos quadrinhos brasileiros é a segunda edição do crossover Raio Negro & Velta, gibi publicado pela editora Júpiter II, de José Salles, recentemente agraciada com o Troféu Jayme Cortez por seu apoio ao quadrinho nacional.
Desta vez, a dupla de heróis - o clássico Raio Negro de Gedeone Malagola e Velta, a gigante loura de Emir Ribeiro - enfrentam o Garra Cinzenta, vilão lendário dos primórdios do quadrinho brasileiro, criação de Francisco Armond (pseudônimo de Helena Ferraz) e Renato Silva, publicado originalmente no suplemento A Gazetinha, nos anos 1930.
Em "A volta do Garra Cinzenta", mortes misteriosas entre os chefões do crime chamam a atenção de Raio Negro que busca pela ajuda de Velta na investigação do caso. A detetive conclui que, décadas depois de sua morte, o Garra Cinzenta está retomando o controle da bandidagem. Não fica claro como o vilão voltou dentre os mortos, se é um impostor ou um imitador, mas tudo leva a crer que se trata do mesmo homem, um gênio do crime que dispõe de uma tecnologia tão misteriosa quanto mortal. Os dois heróis preparam uma armadilha para o vilão e o confronto vai ser imprevisível. O final é aberto, o que sugere uma sequência.
A revista é bem produzida, com desenhos de Emir Ribeiro, que deve ter escrito também o roteiro. O miolo foi impresso em preto e branco, com acabamento em meios tons, e a capa, em cores, vem num cartão reforçado que dá bom corpo ao exemplar. O preço de capa é de R$3,00, e a revista pode ser encontrada em gibiterias e diretamente com a editora. Mais sobre este e outros lançamentos da editora Jupiter II, pode ser lido no blogue da editora, aqui.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Quadrinhos Independentes 102


Edgard Guimarães distribuiu mais uma edição na "nova" fase de seu fanzine Quadrinhos Independentes que, ao fim e ao cabo, não mudou quase nada, para o alívio de seus leitores. Nesta edição, de 24 páginas e formato A5, destaque para as homenagens a Jorge Barwinkel e Sérgio Porini, fanzineiros respeitados falecidos recentemente. Também é lembrado o trabalho de Milton Sardella, na coluna "Mantendo Contato", e o editor Luiz Antonio Sampaio faz um depoimento de sua atuação fanzineira.
Além disso, há um longuíssimo texto de Gazy Andraus discutindo uma nota de Gilberto Dimenstein publicada na Folha Online em 3/12/2009, em que este jornalista igualava o mérito cultural de gibis e revistas pornográficas, com uma também ampla tréplica de Guimarães. E ainda, um texto do editor sobre o Dia do Quadrinho Nacional, e histórias em quadrinhos de Maurício de Sousa, Edgard Gimarães, Leonardo Santana e Gerson Witte. A lista de lançamentos de fanzines não sumiu de todo e sobrevive nas páginas finais.
QI é uma publicação que ainda goza de grande prestígio, mas claramente não tem a mesma relevância de outros tempos. Subexiste por vontade de seu editor, que dedicou uma fração significativa da vida à sua publicação. Pessoalmente, respeito muito a dedicação de Guimarães ao QI, mas gostaria de ver dele um fanzine mais pessoal, com suas HQs e textos, uma vez que o editor é excelente artista e teórico. Ainda que apareça em doses homeopáticas no próprio QI, sua obra faz falta.
Por enquanto, aproveite o QI: Rua Capitão Gomes 168, Brasópolis/MG – CEP 37530-000. E-mail: edgard@ita.br.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

TerrorZine 18


2009 foi um ano excepcional para os fanzines de terror na internet. Talvez demore um tempo para que se repita aquele desempenho, já comentado neste blogue aqui.
TerrorZine, por exemplo, já demonstra que 2010 não será tão produtivo. Editado por Ademir Pascale e Elenir Alves, deu mostras que manteria o pique mensal que o caracterizou em 2009, lançando o número 17 logo na primeira semana do ano. Mas o número 18 só chega agora, três meses depois. Talvez os editores estejam ocupados com as inúmeras antologias que estão organizando, e tudo bem se for assim, é por uma causa nobre.
Esta nova edição vem com mais uma bateria de minicontos e uma entrevista com o escritor M. J. Borgui, que teve contos publicados nas antologias O livro negro dos vampiros (2007) e Os caminhos do medo (2008), ambas das Editora Andross. Também traz divulgações de livros nacionais e estrangeiros.
Para baixar o exemplar, clique aqui. E para participar da edição 19, aqui.
E aproveito para lembrar do lançamento da antologia de fantasia No mundo dos cavaleiros e dragões, organizada por Pascale, que acontece dia 10 de abril, na R. Bela Cintra, 1333, em S. Paulo, das 18h30 às 22h, com a presença de vários autores.

sábado, 3 de abril de 2010

Texone 1 relançado


Faroeste é um dos meus gêneros prediletos, principalmente nos quadrinhos. Mas só comecei a apreciar Tex a partir das edições gigantes, chamadas Texones na Itália. São edições anuais, com roteiros mais realistas e ilustrações de artistas especialmente convidados.
Foi a Editora Globo que começou com a coleção no Brasil. Publicou quatro ou cinco volumes, sem numeração, até que o personagem passou para a Editora Mythos, que decidiu colocar a casa em ordem. Lançou, em 1999, Tex Edição Gigante nº1 - O homem de Atlanta, com roteiro de Claudio Nizzi e desenhos do espanhol Jordi Bernet, mais conhecido entre nós pela HQ Torpedo 1936. Como havia uma certa folga, a Mythos publicou a coleção em edições semestrais. A mais recente foi a de número 23, Patagônia, de Boselli e Frisenda.
Agora anual, já que está na mesma edição que a Itália, a Mythos muito acertadamente decidiu lançar uma segunda edição dessa espetacular série, que todo fã de faroeste deve conhecer.
Acaba de chegar as bancas o relançamento de O homem de Atlanta, uma excelente oportunidade para quem não tem a coleção completa ou ainda não teve a chance de apreciar as histórias deste personagem. A numeração e a capa forma mantidas em respeito aos colecionadores. A única diferença notável é uma cor mais escura no fundo da última capa.
Tex tem uma textura mais pulp que o padrão dos westerns europeus. Nada da sutileza e poesia de outros faroestes como Ken Parker e Tenente Blueberry. Tex é quase um super-herói, invencível e implacável com os vilões, não leva desaforo para casa e resolve os problemas à bala, sem remorsos. Neste aspecto, Tex assemelha-se muito mais a outro personagem popular entre os leitores masculinos, Conan, o Bárbaro, da editora americana Marvel, também publicado pela Mythos no Brasil.
Mas as histórias de Tex Edição Gigante são mais sofisticadas, a começar dos roteiros de Nizzi, que são excelentes, coroadas com os desenhos de grandes artistas dos quadrinhos. A receita deu tão certo que outras edições especiais de Tex também surgiram no mercado, como Tex Almanaque e Tex Anual, ambas coleções diferenciadas dentro do universo deste justiceiro casca-grossa.
A edição chega às bancas ao preço de R$19,90, mas pode ser comprada com descontro diretamente na Editora Mythos.

Clássicos em quadrinhos


O que é mais legal nos clássicos da literatura é que eles estão por toda parte. São baratos e fáceis de encontrar, porque estão em domínio público e todo mundo parece querer tirar uma casquinha. Afinal, não precisar pagar o autor é uma vantagem e tanto. Por isso, volta e meia surge uma nova edição, às vezes mais luxuosa, às vezes em formato econômico. E, às vezes, em quadrinhos.
Acho que a primeira editora brasileira a perceber o potencial das adaptações literárias em quadrinhos foi a EBAL, do Rio de Janeiro, que nos anos 1950 e 1960 era provavelmente a maior editora de quadrinhos do país. Sua Coleção Maravilhosa era dedicada a publicar quadrinhizações da literatura nacional e estrangeira. Algumas adaptações dessa coleção são únicas.
Nos anos 1980 a americana DC criou uma linda coleção de adaptações em quadrinhos de alguns romances clássicos, ilustradas por desenhistas de primeiro time. A coleção teve tradução o Brasil pela editora Abril, com acabamento luxuoso similar ao da coleção americana.
Recentemente, muitas editoras brasileiras descobriram que dá pé publicar adaptações em quadrinhos de clássicos da literatura brasileira, porque os governos parecem interessados em comprar esse tipo de material para as bibliotecas escolares. É uma pena que tenha sido preciso mamar na verba pública, mas se não for assim, o que há de ser do quadrinho brasileiro? Está valendo, tanto que tem ganhado até prêmio Jabuti.
Agora é a vez da editora On Line investir na coleção Clássicos em Quadrinhos. Na verdade, não é um lançamento recente — o primeiro número saiu em janeiro —, mas só agora reparei com o lançamento de mais dois números. Trata-se da tradução da coleção Classic Fiction publicada originalmente pela editora americana Stone Arch Books.
O já citado primeiro número foi O médico e o monstro, de Robert L. Stevenson, adaptado por Carl Bowen, e Daniel Perez. O volume 2 trouxe O corcunda de Notre Dame, de Victor Hugo, adaptado por L. L. Owens e Greg Rebis. E o volume 3, A máquina do tempo, de H. G. Wells, por Terry Davis e José Alfonso Ocampo Ruiz.
A coleção original, da Stone Arch, ainda tem adaptações de O homem invisível, Tom Sawyer, Pinóquio, O livro da selva, 20.000 léguas submarinas, As viagens de Gulliver e muitas outras que talvez cheguem ao Brasil na sequência.
O trabalho é de boa qualidade, mas não tem nada de mais. Os desenhos tendem para um certo estilo oriental, que está na moda, mas simplificado demais, eu diria um tanto apressado. Deu saudades das edições da Abril. Seria oportuno se a editora On Line, ao invés de comprar esses enlatados, providenciasse as adaptações com artistas brasileiros que, com certeza, fariam um trabalho mais vistoso. Talvez nem ficasse mais caro, já que as obras estão em domínio público mesmo.
As edições da coleção Clássicos em Quadrinhos tem formato americano, 72 páginas em cores, e custam R$8,90 cada.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Locomotivas do Mundo


Nada de ficção fantástica desta vez. Mas é igualmente romântico.
A editora Del Prado acaba de distribuir nas bancas de São Paulo o primeiro volume da coleção em fascículos Locomotivas do Mundo, que a cada edição entrega uma miniatura em metal de um modelo de locomotiva em escala N (1:160), com direito a um expositor com trilhos.
As miniaturas são bem feitas e devem agradar aos ferromodelistas, embora não sejam miniaturas móveis, ou seja, não dá para ligá-las na eletricidade e e fazê-las rodas nos trilhos. São modelos estáticos, apenas para exposição.
O primeiro volume, que custa R$19,90, traz a miniatura do TGV francês, que pode ser visto na foto ao lado, e promete duas miniaturas para o volume 2, como é praxe nas coleções dessa editora. O preço, contudo, deverá ser substancialmente mais alto.
A coleção deve fazer muito sucesso, pois o ferromodelismo é uma das mais populares categorias de maquetismo no mundo inteiro, e não é diferente no Brasil. Eu sou especialmente fã das antigas locomotivas a vapor e sempre quis ter uma American 4-4-0 na minha coleção. Talvez seja a minha chance.
Em cada edição entrega, acompanham a miniatura, um fascículo sobre a história das locomotivas e fichas técnicas das máquinas.
Mais informações no site da Del Prado, aqui.