segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Surface


Durante algumas semanas de novembro, a Rede Brasil, emissora de televisão que tem em sua grade diversas séries antigas, como Perdidos no espaço, Arquivo X e Lois and Clark, exibiu uma série que para mim era uma completa novidade. Trata-se de Surface, produção de 2005 – não tão antiga portanto – que passou batida pela TV brasileira. Há notícias que seus 15 episódios tenham sido exibidos pela Record e pela Universal, mas confesso que eu nunca tinha ouvido falar. A história é curiosa e bem desenvolvida, com efeitos especiais eficientes.
Conta o que acontece com a oceanógrafa Dra. Laura Daughtery que, num mergulho de pesquisa, observa um novo tipo de animal marinho de grande porte. Mas, quando divulga a descoberta, é ridicularizada pelos demais pesquisadores e perde sua graduação acadêmica. Isolada, Laura alia-se ao vendedor de seguros Rich Connelly, que testemunhou a morte do irmão num ataque do mesmo monstro e quer certificar-se de que não está louco. Juntos, partem em busca de provas irrefutáveis da existência do animal.

Enquanto isso, o jovem estudante secundarista Miles Barbett encontra um estranho ovo na beira do mar e resolve chocá-lo. Nasce um tipo de réptil marinho que ele decide criar em segredo, como animal de estimação. O bicho, ao qual ele dá o nome de Nimrod, tem a capacidade de emitir descargas elétricas fortes e é bastante inteligente, mas também muito agressivo. Atacado na praia por um grupo de animais semelhantes a Nimrod, Miles tem seu organismo contaminado com o DNA das criaturas e começa e desenvolver poderes esquisitos.

Com Miles esforçando-se na difícil missão de manter Nimrod longe dos olhos da família e dos cientistas do instituto oceanográfico, Laura e Rich realizam uma nova incursão de pesquisa submarina num batiscafo experimental, mas o barco que comanda o mergulho é atacado por supostos agentes do governo e o aparelho despenca para 4000 metros de profundidade, sem possibilidade de resgate. Encalhados em meio a um berçário dos monstros abissais, Laura e Rich aproveitam para filmar as criaturas. Quando o ar está para acabar, são acidentalmente arremessados para a superfície por um dos monstros.
Recolhidos por um helicóptero de resgate depois de alguns dias a deriva no mar, Laura divulga o filme em um programa de TV, mas é novamente ridicularizada. Não obstante, agentes secretos perseguem-na aparentemente interessados em ocultar algum grande segredo relacionado à descoberta. Os motivos, só podemos especular: o seriado ficou apenas na primeira temporada e termina quando um tsunami gigante faz submergir a costa leste dos EUA, espalhando as gigantescas criaturas pelo território inundado.
O destaque do seriado é a linda atriz Lake Bell, que interpreta a Dra. Laura Daughtery, expressiva e segura nas cenas dramáticas, em contraste ao ator Jay Ferguson, no papel de Rich Connelly, de interpretação afetada e irritante. Carter Jenkins faz Miles Barbett, o garoto mutante que, em vários momentos, eu desejei que fosse devorado pelos monstrengos. Num papel secundário, mas de importância para a trama, aparece ainda a conhecida atriz Marta Plimpton, a Stef de Os Goonies.

Enquanto assistia o seriado, ficava imaginando como não seria legal se fosse uma versão moderna para A guerra das salamandras (War with the newts, 1936), clássico da ficção científica de autoria do escritor checo Karel Capek, considerado em muitas listas como um dos dez melhores romances de FC já escritos.
Vale a pena procurar pelos episódios de Surface na internet ou em DVD, pois a história é boa e dialoga com uma série de referências da literatura e da cultura pop, ainda que eu passasse muito bem sem o chatonildo do Miles.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Barroco tropical

Ao longo de 2009, recebi periodicamente a newsletter da editora Companhia das Letras que ultimamente tem publicado alguns bons livros de FC&F. Este mês, um título interessante se apresenta: Barroco tropical, romance do escritor angolano José Eduardo Agualusa, um exemplo da ficção científica luso-africana, originalmente redigido em português, que fala aos brasileiros de forma muito próxima.
A história acontece em Luanda, em 2020, num enredo ligeiramente autobiográfico e, por isso mesmo, algo metalinguístico. Conta o que acontece com um escritor e sua amante depois que eles testemunham a queda de uma mulher que literalmente despencou do céu, uma ex-miss que foi amante de políticos poderosos.
Diz o relise da editora: "Numa narrativa que avança e recua livremente no tempo e que se desloca entre a África, a Europa e o Brasil, Agualusa traça um retrato vivo e pulsante da sociedade angolana atual, onde as tradições ancestrais convivem de modo nem sempre pacífico com uma modernidade mal assimilada. Essas contradições estão sintetizadas no prédio onde mora o escritor Falcato, a Termiteira, futurística torre de sessenta andares, o maior edifício do continente, que não terminou de ser construído e já está em ruínas, abrigando os ricos nos andares superiores e a ralé social e criminal no subsolo. Mães de santo e curandeiros convivem nestas páginas com figurinistas de fama internacional, empresários da aviação, militares golpistas e traficantes de drogas e de armas. O insólito está sempre presente, mas intimamente entrelaçado ao prosaico e ao cotidiano, pois, como declarou o autor, referindo-se a Angola, Portugal e Brasil, 'nos nossos países a realidade tende a ser muito mais inverossímil do que a ficção' ".
Isso já é mais que suficiente para me interessar. Além disso, não é todos os dias que nos deparamos com a FC angolana, de fato é a primeira que tenho notícia, o que por si só é um atrativo e tanto.
Agualusa estreou na literatura em 1988 e seus livros já foram traduzidos para diversos idiomas. Seu livro O vendedor de passados ganhou o prêmio de ficção estrangeira do jornal inglês The Independent.
Não vale a pena dar uma olhada nesse autor?

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Anno Dracula

Em 1997, quando eu e meus colegas estávamos estruturando o projeto da editora Ano-Luz, discutimos quais seriam os títulos estrangeiros pelos quais pretendíamos batalhar. O primeiro título sempre fora Starship Troopers, de Robert Heinlein que inaugurou nossos trabalhos no início do ano seguinte, mas naquele momento ainda não sabíamos o tamanho da encrenca que é publicar um livro estrangeiro, o que só aprenderíamos a duras penas meses depois.
Como sonhar era de graça, estávamos dispostos então a adquirir pelo menos dois outros títulos: The postman, de David Brin, autor que havia construído alguma fama devido aos contos que apareceram na Isaac Asimov Magazine, e Anno Dracula, de Kim Newman, um escritor britânico então completamente desconhecido que desenvolvera um trabalho interessante de ficção fantástica.
O primeiro caiu da pauta assim que o filme estreou nos EUA e faturou meia dúzia de imerecidas Framboesas de Ouro, e o segundo depois que descobrimos que não sabíamos vender livros. Desde então, todos nós esperamos que alguma editora de porte descobrisse esses títulos e os disponibilizasse aos leitores brasileiros.

Finalmente, a editora Aleph, que nos últimos anos tem reforçado seu catálogo com diversos títulos de FC&F, especialmente republicações como os clássicos A laranja mecânica, de Antony Burgess, O homem do Castelo Alto, de Philip K. Dick e Fundação, de Issac Asimov, atendeu aos constantes pedidos de uma legião de fãs de horror e FC e colocou nas livrarias brasileiras a tradução de Anno Dracula, um romance icônico da moderna FC britânica, sequência direta do clássico de Bram Stocker, que conta a história intrigante de uma realidade em que o Conde Drácula realmente existe e, através de sua influência poderosa, assume o poder na Grã Bretanha do final do século XIX ao desposar a Rainha Vitória. Daí parte uma grande quantidade de alterações históricas que levam os fatos desse universo alternativo a uma escalada de dramas bizarros surpreendentes, que envolvem ainda o famoso assassino serial Jack o Estripador.
Devido ao seu formato incomparável, Anno Dracula é um romance difícil de classificar, não porque não se possa descobrir o que ele é, mas porque é difícil definir o que ele não é. Trata-se de ficção científica na medida em que se insere no espaço de influência da história alternativa, com o qual se identifica de imediato devido aos muitos personagens reais que utiliza. Pode ainda ser visto como um trabalho steampunk, devido a sua ambientação vitoriana. Também é uma ficção alternativa, já que apresenta como protagonista um personagem de ficção reinterpretado e que, não por acaso, é um vampiro, o que permite ao texto a legítima classificação no gênero horror, como aliás a editora o está apresentando aos leitores. Alguns ainda podem ousar classificá-lo com o indevassável rótulo de new weird, que muita gente gosta mas ninguém consegue explicar direito o que é.
Mas tudo isso não importa, desde que a história empolgue os leitores brasileiros da mesma forma que encantou os leitores britânicos.
Anno Dracula já está a venda no site da editora Aleph, pela singela quantia de R$49,90. Bela opção para um auto-presente de Natal.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Fanzines de horror do mês


Novembro está chegando ao fim e os fanzines de arte fantástica lançados na internet continuam sendo predominantemente dedicados ao horror. Nas última semanas foi disponibilizado para download o número 15 de Terrorzine, editado por Ademir Pascale e Elenir Alves pela Cranik.
A edição mantém a linha editorial de apresentar uma seleta de microcontos de autores brasileiros, entrevistas com escritores, no caso Jorge Ribeiro e Jocir Prandi, e divulgação de quadrinhos, romances e antologias. Também saiu o Terrorzine Suplemento nº3, com os contos vencedores do Concurso Cultural Estronho.
No ultimo final de semana, foi lançado o Juvenatrix 119, tradicional fanzine de terror e ficção científica publicada pelo engenheiro Renato Rosatti desde 1990, sendo provavelmente o mais antigo fanzine brasileiro em publicação. Também é o único que, depois de muitos anos sendo editado em formato real, virtualizou-se e manteve periodicidade consistente.
Isso deve-se unicamente a iniciativa e disposição de seu editor, que gosta do que faz e não tem nenhuma intenção de parar.
Juvenatrix investe na cena alternativa, com divulgação de bandas de rock pesado, produções de vídeo e cinema independentes, fanzines, livros, sites e blogs (até o Mensagens do Hiperespaço apareceu nesta edição, obrigado, Renato!). Também publica contos, artigos e resenhas, principalmente de cinema. O destaque da edição é a resenha do filme Saló, de Pier Paolo Pasolini, assinado por Matheus Ferraz, e a overdose de FC bagaceira resenhada pelo editor, com nada menos que doze filmes categoria "Z". O fanzine mantém ainda uma comunidade no Orkut. Peça sua cópia em renatorosatti@yahoo.com.br.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Celularidades

Desde 2000 que a Editora Virgo investe suas fichas na publicação cooperativa, num formato estruturado a princípio para a antologia de cartuns Humor Brasil 500 Anos, dedicada aos cinco séculos da nação tupiniquim.
A ideia era tão boa que a brincadeira continuou nos livros 2001 - Uma odisséia no humor e Humor pela paz. A série de antologia de tiras de quadrinhos Tiras de letra já vai pelo oitavo número, entremeada por outros títulos de ocasião, como Fome de ver estrelas, Isto é um absurdo e Internet@humor. Agora chegou a vez de Celularidades, um projeto antigo que custou a sair da prancheta.
Celularidades vai ter o lançamento oficial dia 21 de novembro, a partir das 21 horas na Livraria HQMix, Praça Roosevelt, 142, São Paulo. O evento pretende reunir a maior quantidade possível dentre os 26 artistas publicados, que são: Airon, Alecrim, André, Amorim, Bira Dantas, Biratan, Claudio, Ed Sarro, Eder Santos, Edra, Érico San Juan, F. Pontes, Gilmar de Godoy, Humberto Pessoa, J. Bosco, Julinho Sertão, Luigi Rocco, Mastrotti, Mayrink, Rei, Rice Araújo, Ronaldo Cunha Dias, Spacca, Spett, Waldez e Willian Medeiros.
O editor da Virgo é Mario Mastrotti, cartunista bem conhecido no meio, que a partir de São Caetano do Sul espalha aos quatro ventos seu humor gráfico. Diz Mastrotti sobre o volume: "O celular é uma realidade sem volta por tudo que significa de avanços, benefícios e bem-estar para o ser humano. No Brasil, país apaixonado por falar, e fala-se até demais, ele é parte integrante da vida de todos aproximando e vez por outra afastando muita gente.
Otimiza os negócios, agiliza as soluções e o faz de forma tão eficaz da mesma maneira que seu uso é aplicado para lesar e prejudicar o outro. O celular é um faz tudo e prova que também faz humor dos bons no traço de cartunistas de todo o país que nunca deixam cair a linha, sempre ocupada, ora com uma gargalhada imensa, ora com um sorriso esperto, melhorando a ligação entre as pessoas."
Celularidades apresenta 100 cartuns em 64 páginas, e custa R$15,00.
Mais informações sobre o evento pelos telefones (11) 3258-7740 e (11) 70324902.

Noticias... do Fim do Nada


Há alguns dias, rolou na lista de Literatura Fantástica do CLFC informações sobre a descontinuação, no número 82 (julho a setembro de 2009), de um dos últimos fanzines brasileiros de ficção científica em papel, o Notícias... do Fim do Nada, editado pelo médico aposentado e colecionador de livros de ficção científica Dr. Ruby Felisbino de Medeiros, de Porto Alegre.
O fanzine surgiu por volta de 1990 como órgão oficial da Laboratório Escola de Ficção Científica Robert Heinlein coordenada por Medeiros e manteve uma invejável regularidade, publicando quatro volumes por ano, sem falhas.
Nos primeiros tempos do fanzine, Medeiros costumava apresentar amplas listas de pesquisa, a partir do que publicou em fascículos o ousado Acervo Bibliográfico em Língua Portuguesa de Ficção Científica que pretendia relacionar, em ordem alfabética por autor, todos os contos do gênero publicados em português. Mais tarde, Medeiros os reuniu em um único volume e, mesmo incompleto e desatualizado, ainda é uma ferramenta valiosa e sem paralelo para os pesquisadores do gênero. O NFN também abriu um espaço enorme para autores novos e muitos trabalhos significativos foram publicados em suas páginas.
O editor fazia questão de uma apresentação limpa e organizada, meticulosa nos detalhes, mantendo sempre o mesmo formato em cópias perfeitamente legíveis. O fanzine também era rigoroso no conteúdo, de modo que as edições apresentavam sempre a mesma aparência geral. A linha editorial era conservadora e apegada a FC golden age, com uma generosa dose de tecnofobia: Medeiros recusou-se terminantemente a adotar a tecnologia digital. Nunca montou um site ou em blog e sequer teve um endereço eletrônico.
A certa altura, depois de uma consulta aos leitores, o fanzine reduziu a publicação de notícias e resenhas, privilegiando ficção e artigos de pesquisa. Aos poucos, deixou de publicar também as famosas listas, restringiu o corpo de colaboradores e ocupou a maior parte das páginas com reproduções de textos obscuros vistos revistas antigas e cópias de recortes de jornais. Nos últimos tempos, a divulgação e as resenhas de livros haviam retornado timidamente.
Um dos mais frequentes colaboradores do NFN foi o escritor carioca Miguel Carqueija. Eis aqui um trecho de sua mensagem na lista acima referida: "Num lacônico editorial, Ruby Felisbino Medeiros dá vagamente as razões: 'Várias causas obrigam-me a encerrar diversas tarefas'. O que provavelmente está pesando é a idade do editor (85 anos). E embora ele diga 'Procura-se outro editor', acho pouco provável que alguém mais assuma... Quem acompanha, como eu, a FCB desde os anos 80, pode constatar como os tempos mudaram e como a internet mudou os hábitos de autores e editores, no plano amador."
Dr. Ruby dedicou-se também a ajudar os colecionadores amigos a conseguirem livros raros de FC&F, e foi o criador da expressão "Cemitério da FC", o lugar para onde iriam as extintas publicações brasileiras de FC . Lamentavelmente, o NFN também para lá agora se encaminha.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Festão do Baraldão 2009


O multipremiado cartunista Márcio Baraldi preparou uma festa para receber amigos e leitores para o lançamento de seu novo álbum de quadrinhos.
Hey-ho... let´s go, o 12º de sua carreira e quarto volume de Roko Loko e Adrina Lina, personagens publicados ininterruptamente há 14 anos na revista Rock Brigade. Os álbuns são compilações das histórias lá publicadas.
Hey-ho... let´s go traz prefácios de Franco de Rosa e Sidney Gusman, pin-ups de Getúlio Delphim e Mozart Couto, e textos de personalidades da HQ e do rock nacional. A edição é da Opera Graphica para o selo "GRRR!... Gibi Raivoso, Radical e Revolucionário!", exclusivo de Baraldi.
A festança vai rolar no dia 5 de dezembro, das 14 às 19 horas, no Bar Blackmore (Alameda dos Maracatins, 1317, São Paulo), com salgadinhos, vinho e refrigerante na faixa, shows das bandas Exxótica e Cracker Blues, mágico, caricaturistas, discotecagem de Adriano Coelho e "otras cositas mas". O evento abrigará também a entrega da segunda edição do Troféu Bigorna para os melhores dos quadrinhos brasileiros. A entrada é franca e todos estão convidados.
Dê uma olhada neste "reclame" do Marcião, que está impagável. Para quem morria de vergonha de falar em público, foi evolução e tanto.
É isso aí, Baraldão. Sucesso!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Novos fanzines de Roberto Hollanda


Há alguns dias recebi a edição 17 do fanzine Arlequim, de Roberto Hollanda, com mais um capítulo da curiosa história de Emília, Narizinho e Pedrinho depois que ficaram adolescentes, quase adultos. Emília agora é Arlequina, uma entidade mágica poderosa que trafega pelos mundos da literatura, convivendo com personagens e ambientes de fantasia de diversas procedências. Narizinho, agora chamada simplesmente de Lúcia, tornou-se uma bela jovem também iniciada nas artes da magia, e Pedrinho, agora Pedro Malazartes, é um delinquente juvenil que deseja apenas satisfazer seu próprio ego.
Nos últimos episódios, acompanhamos a queda de Arlequina que, acusada de adultério por seu marido legal, o Marquês de Rabicó, foi atirada numa espécie de prisão, um limbo onde são lançadas as ideias abandonadas. Neste episódio, Lúcia e Pedro voltam ao Sítio do Picapau Amarelo em busca de ajuda para resgatar a amiga, e conseguem cooptar quatro super-heróis mirins, os filhos de Dorothy, de O mágico de Oz. O grupo invade a prisão e luta com os guardas, mas as coisas não saem muito bem e Dorothy decide interceder para salvar seus filhos.
Hollanda mantém o projeto de concluir este arco de histórias na edição 20, mas no editorial já deu a entender que suas ideias voltaram a fervilhar e, ainda que vá definir a aventura dessa forma, deve publicar mais edições futuramente.

Juntamente com Arlequim 17, recebi o primeiro e único número publicado até o momento do fanzine Nouvelle Magique, igualmente produzido por Roberto Hollanda. Desta vez, Hollanda homenageia os pioneiros dos quadrinhos, numa história que também envolve uma boa dose de fantasia. Ela acontece no início do século XX. A jovem Lívia, apaixonada pelos avanços da arte e da tecnologia, está entusiasmada com a nova arte das Histórias em Quadrinhos. Ela faz aulas de desenho e produz suas histórias, mas seu professor rejeita os trabalhos e a alerta para que não as faça mais. Um pouco desorientada, a menina acompanha Miele, sua colega de classe, para ver Madame Jollit, uma artista que percebe nela um grande talento e a inicia na verdadeira arte secreta dos Quadrinhos, que tem o poder de manipular a realidade.
O desenho de Hollanda, que não é nada realista, pode desagradar os leitores que pensam que o realismo é componente imprescindível nas HQs. Quem pensa assim, infelizmente vai perder um grande trabalho. Não consigo imaginar uma imagem melhor para as histórias que o Hollanda cria, pois os desenhos combinam perfeitamente com o clima de irrealidade do enredo. É possível que o realismo até prejudicasse esse clima.
Para conhecer o trabalho de Roberto Hollanda, leia este post que disponibiliza links para baixar as primeiras edições de Arlequim. Mas quem realmente valoriza o trabalho, não vai se incomodar em escrever para o editor e comprar o fanzine em papel: Rua Sousa Aguiar, 322, casa 5, Rio de Janeiro, RJ. CEP 20720-035.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Anjo de dor


No dia 5 de novembro, enquanto esperava o início da mesa redonda da antologia Rumo a fantasia, fui surpreendido por um exemplar do esperado romance Anjo de dor, de Roberto de Sousa Causo, publicado há pouco pela Devir e apresentado no evento pelo próprio autor. A introdução do livro é assinada pelo saudoso Rubens Teixeira Scavone e a ótima ilustração da capa é de Vagner Vargas. O título inaugura o selo Pentagrama da Devir, dedicado à literatura de horror.
Finalmente é possível ao público apreciar esta que é uma das mais impactantes obras desse escritor de ficção fantástica, num formato dramático que lhe é raro, o de quase realismo autobiográfico, visto em apenas em uns poucos contos.
Anjo de dor é uma história de fantasia sombria (dark fantasy em inglês) que conta os dramas de um jovem habitante de Sumaré, município do interior de São Paulo onde o autor passou boa parte de sua juventude. A sinopse do livro no site da editora diz:
"A chegada da excepcional cantora Sheila Fernandes a uma pequena cidade do interior de São Paulo dispara uma série de acontecimentos fantásticos, vividos por Ricardo Conte, um pintor que trabalha como barman na mesma boate em que ela irá se apresentar. Um misterioso espectro se apresenta — antecipando a violência, quando o passado de Sheila finalmente a alcança, para um derradeiro acerto de contas."
Trechos da história, que envolve pugilismo, assassinatos e fantasmas, foram apresentados há alguns anos na edição número 50 do fanzine Juvenatrix e, desde então, aguardava-se que alguma editora desse-lhe existência física.
A publicação de Anjo de dor acena com a possibilidade de, em breve, a Devir dar corpo também ao inédito Mistério de Deus, outro poderoso romance dark fantasy do autor, passado no mesmo ambiente e do qual tive a sorte de ser leitor beta há alguns anos.
Anjo de dor está a venda no site da editora e na livraria Comix.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O jogo no tabuleiro chega ao fim


Amanhã, dia 11 de novembro, o romance virtual O jogo no tabuleiro da escritora gaúcha Simone Saueressig, chega ao seu termo com a publicação de "A casa de Lícora", episódio final de Nemthru, o terceiro livro da saga, em que tudo se resolve, mas nem tudo se explica.
Junto aos livros O afilhado das fadas e A falcoeira, O jogo no tabuleiro conta a história de um grupo de jovens que são capturados numa superrealidade de fantasia medieval, que é o próprio Tabuleiro, e para sair de lá tem de reunir um conjunto de artefatos raros e misteriosos. Lá eles encontram todo um mundo de cenários exóticos, repleto de criaturas fabulosas e de um povo de história tão antiga quanto heróica.
Jogadores de partidas anteriores, que não conseguiram cumprir a tarefa, têm agora naquele mundo a sua única e verdadeira realidade. Um desses infelizes vai acompanhá-los, na intenção de finalmente vencer o Tabuleiro e voltar para o mundo real. Mas o efeito das tragédias do Tabuleiro são um mistério para todos. O que acontece com aqueles que se feriram ou morreram no jogo? Voltarão ao normal? O tabuleiro é apenas simulação ou trata-se de um portal para um universo paralelo?
Este capítulo final tem a mesma força avassaladora das grandes sagas da fantasia, por que nem tudo resulta como esperamos e ao final deixa uma saudade melancólica de algo que nunca devia ter se acabado. Tanto que a autora criou uma área do seu site Porteira da Fantasia, o "Jogadas Apócrifas", para que os leitores publiquem suas próprias criações no mundo do Tabuleiro: desenhos, poemas, fanfics etc.
A autora contou-me que muita gente a tem abordado, nos diversos eventos literários em que ela participa, para comentar a história, que é de fato envolvente, e sugerem que ela providencie uma versão impressa. Alguns confessam que imprimiram os arquivos para poderem ler com mais conforto e compartilhar com os amigos. Desde antes da publicação, eu já havia dito a Simone que a história merecia um tratamento mais ortodoxo de edição, que o romance clama por isso. Tomara que alguma editora perceba o potencial de O jogo no tabuleiro e o publique em forma real. Eu serei um comprador certo. Por enquanto, estão disponíveis os dois primeiros volumes fechados. Cada um dos capítulos do terceiro podem ser baixados gratuitamente aqui. Creio que em breve Nemthru também estará disponível em forma de arquivo unificado.
Ainda que não seja um livro real, O jogo no tabuleiro é sem duvida um dos grandes lançamentos de FC&F de 2009.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Batepapo na Vila Mariana


Ontem, dia 5 de novembro, em meio a um calor africano regado por uma chuva fina e morna, compareci à Biblioteca Viriato Corrêa, na Vila Mariana, São Paulo, para formar a mesa do batepapo sobre o livro Rumo à fantasia, recentemente publicado pela editora Devir em seu selo Quymera. Lá estiveram também Vagner Vargas, autor da ilustração da capa da antologia, Braulio Tavares, escritor conceituado no fandom que acabou de receber o prêmio Jabuti, e o organizador da antologia, o escritor Roberto de Sousa Causo.

Roberto de Sousa Causo

Enquanto esperávamos todos os convidados chegarem, ficamos no hall conversando com alguns dos visitantes, como os escritores Tibor Moricz, Adriano Siqueira e Finisia Fideli, o jornalista Marcello Simão Branco, o editor Silvio Alexandre, o bem informado blogueiro Álvaro Domingues, do Homem Nerd, e o representante comercial da Devir, Geraldo Saldanha.

Vagner Vargas

A mesa foi formada por volta das 20 horas, Causo apresentou os convidados e depois de uma rápida e esclarecedora análise sobre a ilustração da capa da antologia, que tem sido muito elogiada pelos leitores e livreiros, passou a palavra para Vagner Vargas contar sobre sua experiência como ilustrador editorial.

Cesar Silva

Depois foi a minha vez de falar sobre o meu conto na antologia, "Mensagem na garrafa". Braulio completou em seguida, falando muito bem sobre seu projeto de fantasia ibérica. As fotos da palestra foram realizadas por Silvio Alexandre.

Braulio Tavares

A audiência pequena, por volta de vinte pessoas que ficaram muito à vontade no ar condicionado perfeito da nova e remodelada biblioteca, mostrou-se participativa, com várias perguntas e observações interessantes.
Terminada a palestra, por volta das 21 horas, fomos todos para a área de convivência autografar livros, tomar suco de uva e trocar figurinhas. O evento encerrou-se por volta das 21h45, e encarei um trânsito pesado para retornar à minha residência, em São Bernardo do Campo. Missão cumprida. Agora é trabalhar pelo sucesso na venda da antologia.

Para o álbum de memórias


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Soturna 3


Abrindo a temporada dos e-zines de horror do mês de novembro, está disponível para download aqui a terceira edição de Soturna, revista eletrônica publicada sob o selo Sombrias Escrituras, dedicada a divulgar a produção artística de horror.
Na edição, poemas de diversos autores contemporâneos brasileiros, matéria sobre a banda Lacrimosa, com discografia completa, artigos sobre depressão, ansiedade, tribo dos góticos, lixo tóxico, Edgar Allan Poe e uma entrevista com Dennis 80's, músico e diretor da 80's Records. Antene-se.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

S.P.A.C.E.




Em 1983, a Editora Rio Gráfica – atual Editora Globo – lançou nas bancas uma interessantíssima coleção de figurinhas chamada S.P.A.C.E. - Sistemas e Planos de Ataque a Comandos Estelares, provavelmente traduzido do original italiano da Piero Dami Editore, pelo que eu consegui levantar numa pesquisa na internet. Tratava-se de um álbum com 128 cromos coloridos reproduzindo cenas de uma guerra espacial extragaláctica.
As figuras traziam imagens de espaçonaves, soldados e armas dos dois sistemas planetários envolvidos nessa guerra de proporções cósmicas: a Estrela Negra e o Sol Vermelho. Cada um deles dotado de vários mundos habitados, diversas raças de guerreiros, muito armamento pesado, naves gigantes e até animais bizarros e fascinantes.
O álbum explica cada imagem e vai assim contando a história dessa guerra, como um livro ilustrado. As imagens, belíssimas, não trazem os créditos, mas dá para notar que vários ilustradores emprestaram seus talentos para construir essa space-opera exótica, que até onde eu saiba não tem paralelo no Brasil.

O escritor e editor Roberto de Sousa Causo alertou-me sobre as muitas semelhanças do design das naves e armas desse álbum com aquele que George Lucas usou nos novos episódios de sua saga espacial: A ameaça fantasma, O ataque dos clones e a Vingança dos Sith. De fato, há alguma semelhança e como se sabe que a produção da Lucasfilm usou e abusou de referências, não seria de se estranhar se esses desenhos tivessem também entrado no rol de "homenagens" não creditadas pela trilogia.
O álbum é bastante raro e há alguma procura por ele entre os fãs de ficção científica. Já recebi propostas para vendê-lo, mas achei mais interessante compartilhá-lo através de um arquivo eletrônico, que eu hospedei aqui. As imagens foram obtidas a partir do álbum e não foram tratadas: estão exatamente como o meu álbum, que já tem mais de 25 anos e os fungos já cobram algum preço. Mas estão em resolução suficiente para serem lidas. Por isso, o arquivo é grande: cerca de 56Mb.
Espero não estar cometendo nenhum tipo de contravenção ao divulgar esse material. O caso é que eu realmente acredito que esse é um dos mais belos álbuns de figurinhas já publicado no Brasil e o material merece ser recuperado.
Se alguém tiver mais alguma informação sobre essa publicação, mande aí um comentário, pois tenho muita curiosidade sobre o autor do texto e os artistas envolvidos na produção dessas imagens.

OBS: O leitor David McDonald, da Irlanda, informou que os autores nunca creditados na edição brasileira são o ilustrador Ian Kennedy (que trabalhou em Dan Dare) e o escritor Kelvin Gosnell, autor da famosa série Storm, e também o editor da revista britânica em 2000 AD. Obrigado, David!

Fun House Xtreme 13


No finalzinho de outubro saiu mais uma edição do Funhouse Xtreme, ezine editado por Iam Godoy. dedicado a divulgação da cena alternativa do horror no Brasil.
Nesta edição, destaque para uma longa entrevista com Edgar Franco, que fala de sua experiência como ilustrador quadrinhista e músico, adiante da banda de rock experimental Posthuman Tantra.
O zine também dedica algum espaço ao trashvídeo Ninguém deve morrer, de Peter Baiestrorf, e resenha álbuns de bandas gore.
O zine pode ser baixado aqui. Bons sustos!

2009 é o ano das antologias


Organizador de diversas antologias recentes de literatura fantástica, das quais já foram publicadas Draculea: O livro secreto dos vampiros e Invasão, Ademir Pascale anunciou a montagem de um novo título, deste vez de fantasia: No mundo dos cavaleiros e dragões. A publicação deve acontecer através da editora All Print, que tem sido muito receptiva ao gênero. A ótima escritora Regina Drumond (Receitas práticas de magia, O destino de uma jovem maga, Amor vampiro, Rumo à Alemanha) foi convidada para escrever o prefácio, e os escritores Leandro Reis (Filhos de Galagh) e Rober Pinheiro (Lordes de Thargor, o vale de Eldor) já estão pré-selecionados. Quem quiser submeter algum trabalho, pode se informar aqui. Boa sorte.
Ao mesmo tempo, Pascale anunciou a data do lançamento da antologia Metamorfose - A fúria dos lobisomens: dia 19 de dezembro, a partir das 18h30 no Bardo Batata (R. Bela Cintra, 1333, São Paulo).

domingo, 1 de novembro de 2009

VELTA 2010 - Uma aventura nos anos 30


Emir Ribeiro é um dos mais entusiasmados editores independentes que conheço e seus primeiros trabalhos tiveram alguma influência quando de minha decisão de publicar o Hiperespaço.
Lá pelos idos de 1980, conheci o fanzine 10abafo, publicado por ele, que estava entre as muitas revistinhas independentes que encontrei em um sebo no bairro do Butantã, em São Paulo. Eu havia ido até lá em busca de números novos de outras revistas que eu já conhecia, como a Garatuja, publicada por um grupo de quadrinhistas de São Paulo, e Historieta, publicado pelo saudoso Oscar Kern, mas acabei encontrando os zines do Emir e neles as histórias da Velta (que então se escrevia Welta). Foi uma revelação para mim, porque até então eu só tivera acesso a fanzines feitos em off-set, sofisticados, como os já citados Garatuja e Historieta, e 10abafo era praticamente feito com cópias em xerox, o que significava que eu também podia fazer um.
Até hoje, todas as vezes que encontro uma nova edição com Velta, revivo a sensação de maravilhamento que me acompanhou naquele dia e em muitos dias que vieram depois. Eu arrisco dizer que isso é felicidade.
Pois esta semana pude reviver isso tudo ao receber pelo correio a edição VELTA 2010 - Uma aventura nos anos 30.
A revista dá sequência ao projeto de Emir em recriar sua personagem mais importante, a gigante loura que solta cargas elétricas pelo corpo. Desta vez ele instala Velta nos anos 1930, um período difícil para a humanidade, vinda da crise econômica causada pela quebra da bolsa de Nova York e aguardando a explosão de violência e morte que cairia sobre todas as nações, inclusive o Brasil. A origem da personagem também é recontada. Agora Velta – diminutivo de Herivelta! – é Catarina, que ganha seus poderes depois de um tratamento heterodoxo para a paralisia que a acometeu depois que foi agredida pelo marido. E ela vai ter que enfrentar toda a ira de seu agressor para ajudar o Homem de Preto, um vingador mascarado que morreu por obra da Irmandade do Canhão, a qual ele pertence.
A trabalho é bem produzido, com impressão de qualidade, capas em cores cartonadas e plastificadas e 64 páginas de miolo em preto e branco, com um bom acabamento em meios tons. Emir fez a lição de casa e incorporou várias cenas históricas a narrativa, que são explicadas num anexo.
A revista deve ser oficialmente lançada somente em 2010, como diz o título, mas já está em pré-venda. Os primeiros cinquenta compradores ganharão como brinde um cartão tamanho útil de 5 x 7 cm, com um desenho original de Emir retratando qualquer personagem escolhido.
Para comprar, entre em contato com o editor aqui, ou pelos emails emir_ribeiro@yahoo.com.br e emir.ribeiro@gmail.com.