terça-feira, 27 de outubro de 2009

Warehouse 13


Segunda-feira, dia 26 de outubro, a Warner levou ao ar o primeiro episódio do seriado Warehouse 13, que me pegou de surpresa. Eu estava assistindo a estreia da segunda temporada de The mentalist e assim que este acabou, fui capturado por monte de explosões de luz que me fizeram ficar ligado até a uma da madrugada. Eram as cenas de presentação do novo seriado, que eu classificaria como um híbrido de Arquivo X e Os caçafantasmas.
A história de Warehouse 13 começa numa exposição de arte asteca num museu na capital norte-americana, na noite em que o presidente dos EUA vai visitá-la. Um forte esquema de segurança é instalado, mas o agente Peter Lattimer sente que algo não vai bem. Uma peça em exposição está emanando vibrações estranhas, que influenciam um dos funcionários do museu que nessa condição tenta assassinar o presidente. Enquanto a agente Myka Bering, responsável pelo esquema de segurança, detém o agressor, o agente "sensitivo" remove a peça da exposição, mas acaba rendido por um homem estranho que, utilizando-se de um equipamento misterioso, desaparece do local com o artefato.
Mais tarde, sob pressão do FBI que exige informações sobre o destino da escultura roubada, o agente Lattimer recebe a visita de uma estranha mulher que se identifica como sendo a Sra. Frederick da Segurança Nacional, que lhe entrega uma ordem federal para que ele se apresente no dia seguinte num certo lugar da Dakota do Sul. Quando ele chega lá, encontra um galpão enorme, aparentemente abandonado no meio do nada. Enquanto espera à porta que alguém o atenda, um outro carro chega, trazendo a agente Bering. Eles não se dão muito bem a princípio e nenhum deles imagina o que vão fazer ali. Surge então por detrás deles o mesmo homem que havia desaparecido com o artefato asteca, vestido de forma extravagante e carregando um equipamento desconhecido e de função misteriosa. Ele se apresenta como o encarregado do depósito Arthur "Artie" Nielsen e, enquanto os leva para dentro, explica que agora eles fazem parte de uma equipe secreta especial encarregada de recolher e armazenar artefatos que possam colocar a segurança nacional em risco. O depósito está repleto desses artefatos, alguns tecnológicos, outros mágicos, e talvez até alienígenas.
A imagem geral do interior do gigantesco galpão, que tem diversos níveis, é a do grande depósito visto no final de Os caçadores da arca perdida, onde foi armazenada a Arca da Aliança. Ele explica que esta é a 13ª encarnação do depósito, que existe desde tempos antigos. A 12ª versão teria sido instalada nos EUA por Nicola Tesla, M.C. Escher e Thomas Edison, mas como um incêndio a destruiu, foi construída a nova instalação. Finalmente, ele encarrega os relutantes agentes de sua primeira missão, que é investigar um estranho caso de demência de um jovem, que agrediu a namorada.
A premissa é interessante e pressupõe possibilidades criativas para futuros enredos, com histórias de terror, fantasia e ficção científica, viagens no tempo, realidade alternativa e uma bem vinda dose de steampunk. Porém, o desenvolvimento da primeira missão dos dois agentes não é muito animador. Há um constante clima de farsa que não se decide entre o dramático e o cômico. Por exemplo, os agentes têm que carregar para lá e para cá, um balde cheio de um estranho líquido que, só porque o autor do seriado quer, tem a capacidade de anular o poder de todo e qualquer artefato, seja lá qual for. A natureza do tal departamento super-secreto que sequer tem um nome reporta ao seriado satírico The Middleman, e a própria interpretação dos atores pressupõe uma comicidade contida.
Não há muito mais o que avaliar sobre o seriado neste momento. Episódios de estreia são geralmente introdutórios, servem para contextualizar e apresentar os personagens. Algumas vezes eles vão além e também contam uma boa história, que não foi o caso de Warehouse 13, que tem um jeitão de Buffy, a caçavampiros. Mas isso não quer dizer que o seriado não fique legal mais adiante, porque afinal de contas a ideia é muito boa. Informações na internet dão conta de uma grande audiência nos EUA para o seriado, especialmente do público feminino. Talvez os próximos episódios insiram alguma tensão romântica no casal de agentes.
Tudo muito legal, mas bem que poderia passar um pouquinho mais cedo, né?

Ficção fantástica é a mais vendida do Brasil

Meu amigo Miguel Carqueija, autor do romance Farei meu destino (Editora Giz, 2008), enviou-me pelo correio, um recorte do jornal O Globo, de 3/10/2009, a página 6 do caderno "Prosa e Verso", com uma reportagem inspiradora sobre Renato Canini, quadrinhista veterano que nos anos 1970 deu personalidade brasileira ao Zé Carioca. Canini foi justamente homenageado este ano no festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, e a reportagem exibe lindas imagens de seus trabalhos e uma emocionante capa da saudosa revista Recreio, que ele ilustrava.
Mas o que realmente me saltou aos olhos estava no verso, página 5, que estampa uma relação dos livros mais vendidos, creditada à Infoglobo, cujo levantamento corresponde aos dias 18 a 29 de setembro.
Lembro que há alguns anos era raro encontrar um título de ficção fantástica nas listas de mais vendidos de qualquer veículo de imprensa, tanto que esse é o tipo de informação que eu raramente confiro. Até porque sempre me pareceu que essas listas são um tanto suspeitas. Enfim, compartilho aqui com vocês o que eu vi:
Incrível! Na pesquisa de O Globo, nada menos que nove dos dez títulos de ficção mais vendidos no Brasil são fantásticos ou assemelhados. Tolkien continua arrebentando com cinco títulos relacionados, enquanto Stephanie Meyer ocupa outras 3 posições com livros de sua série romântica de vampiros. Nas pontas da tabela, em primeiro lugar o romance de realismo fantástico A cabana, e em décimo o único título realista, O vendedor de sonhos.
Mas, como sempre, há um pequeno truque da redação que faz uso do velho jargão "dividir para vencer". Na mesma coluna há uma outra tabela dedicada aos livros infanto-juvenis, mais modesta, com apenas cinco títulos relacionados. Os dois primeiros são As crônicas de Narnia e Diários do Vampiro - O despertar. Acredito que ambos poderiam figurar sem qualquer problema na lista principal, o que certamente alijaria pelo menos o último livro da relação e, neste caso, todos os livros da lista seriam fantásticos.
Lamentavelmente, ainda há um único livro de ficção científica na relação. Apesar do crescimento explosivo da ficção fantástica no mercado, alavancado pela fantasia e o horror, a FC parece não estar colhendo absolutamente nada dessa onda.
Outra ausência sentida é a de livros de autores nacionais. Mas um dia eles estarão lá, tenho certeza.

domingo, 25 de outubro de 2009

Mandei mal vol.1


Ao que tudo indica, enganei-me desastrosamente na redação da nota anterior, sobre o lançamento das antologias Imaginários.
Não há nenhuma promoção anunciada pela editora Draco que ofereça os dois volumes pelo preço de um no dia do lançamento. Cometi algum erro na pesquisa ou misturei estações. Peço desculpas à editora e aos leitores pelo mal entendido, espero não causar nenhum tipo de problema ao evento por conta disso.
O organizador Tibor Maricz me alertou sobre o erro e o trecho do artigo que comentava esse detalhe foi removido para evitar complicações.
E voltamos a nossa programação normal...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Lançamentos à vista


Dia 28 de novembro abrigará o lançamento de nada menos que 3 antologias de ficção fantástica na capital paulista.
Entre 15 e 18 horas, na Livraria Martins Fontes (Av. Paulista, 509) será apresentada Contos imediatos, antologia de ficção científica organizada por Roberto de Sousa Causo para a editora Terracota, com um time de peso: Luiz Brás, Ataíde Tartari, Sidemar V. de Castro, Ademir Pascale, Miguel Carqueija, Tatiana Alves, João Batista Melo, Chico Pascoal, André Carneiro, Jorge Luiz Calife, Mustafá Ali Kanso e Tibor Moricz.
Praticamente no mesmo horário, na Livraria Cultura do Shopping Market Place (Av. Dr. Chucri Zaidan, 902), rola o lançamento dos dois primeiros volumes da coleçao de antologias Imaginários, publicada pela editora Draco.
A coleção não pretende tematizar seus volumes, que misturam FC, fantasia e horror sem cerimônia. O volume 1 traz textos de Gerson Lodi-Ribeiro, Giulia Moon, Jorge Luiz Calife, Ana Lúcia Merege, Carlos Orsi, Flávio Medeiros, Roberto de Sousa Causo, Osíris Reis, Martha Argel, Davi M. Gonzales e Richard Diegues.
O volume 2 dá espaço aos autores portugueses João Barreiros, Jorge Candeias, Sacha Ramos e Luis Filipe Silva, ao lado dos brasileiros Alexandre Heredia e André Carneiro. Ambos os volumes foram organizados por Tibor Moricz, Saint-Clair Stockler e Eric Novello.

Lançamento da antologia Rumo a fantasia


No dia 5 de novembro às 19 horas, na Biblioteca Viriato Corrêa em São Paulo, a Devir realizará um bate-papo para marcar o lançamento da antologia Rumo à Fantasia.
Já confirmaram presença os autores Braulio Tavares, Rosana Rios, Roberto de Sousa Causo e o ilustrador Vagner Vargas. E eu também estarei lá.
A Biblioteca Viriato Corrêa fica na Rua Sena Madureira, 298, Vila Mariana, São Paulo (telefone 11-5573-4017).

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Hinata-Sou


Se você não viu o final ou perdeu um capítulo importante daquela série fabulosa ou embolorou o VHS que era a jóia da sua coleção, seus problemas acabaram.
Hinata-Sou é exatamente aquilo que um otaku quer de um site de animes. Tem praticamente tudo o que se refere a seriados de TV, OVAs, longas de cinema e até alguns live-actions, prontos para baixar e assitir. Todo bem organizado e rápido de consultar.
O site disponibiliza vários links para download de cada filme, a maior parte legendado e em formato mp4, mas tem alguma coisa em AVI, MVK e outros formatos de vídeo. Para garantir que não vai ter dores de cabeça com codecs, recomendo o uso do software gratuito VLC Portable, que roda praticamente tudo e pode ser baixado aqui.
Faça a festa, maluco!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

E-zines de terror no mês do Halloween


Como tem sido desde o início do ano, os fanzines eletrônicos de terror estão sustentando uma regularidade admirável, abrindo muito espaço para artistas e articulistas que atuam nesse gênero. O mês ainda não acabou e já foram distribuídos quatro títulos:

Soturma 2, editado pelo heteronômio Senhor Arcano através do selo Sombrias Escrituras, traz artigos sobre as bandas Sopor Aeternus e My Dying Bride, matérias sobre o poeta George Trakl, o pintor Bruno Amadio e a ourives Marina Brandt, entrevistas com o poeta Alessandro Reiffer e com Rosana Raven, editora do fanzine Flores do Lado de Cima. Contos de Alessandro Reiffer, Rogério Silva Farias, poemas de Sr. Arcano, Silde, Carla Augusta, Rogério Silvério, M. Pereira Lima e Roni P. Dias. O Soturna também produziu um CD sugerindo uma trilha sonora ideal para os fãs, que pode ser adquirido através do e-mail artesoturna@ymail.com.

Adriano Siqueira distribuiu o número 32 do seu fanzine Adorável Noite. Dedicado à divulgação da cena cultural do horror paulista, é distribuído em versão impressa nas casas noturnas da capital. Traz poemas de Lord Diamond, Medye Platinun, Glaydson Alonso do Nascimento, Abigail Lucena de Farias, Maharee contos de Darlon Carlos, Ana Dominik Spuk e Arlequim Noctâmbulo. Números anteriores podem ser obtidos aqui.

Terrorzine 14, editado por Ademir Pascale e Elenir Alves para a Cranik, incentiva a produção de contos muito curtos e apresenta vinte trabalhos de diversos autores, mais entrevistas com os escritores L. F. Riesenberg, Daniel Pedrosa e Albarus Andreos.

Finalmente, a já citada Rosana Raven distribuiu o seu
Flores do Lado de Cima 10, com artigos sobre Edgar Allan Poe e Stephen King, muitas fotos do evento musical Metal World for Children realizado no início de outubro em Sampa, um conto de Oscar Mendes, poesias e resenhas de discos. Destaque para as belas colagens de Erik Thurn, as composições de Wagner Moloch disponíveis na internet (confira vários links na edição) e o e-book Empadas e mortes de M. D. Amado.
Outubro tem combustível para mais. Vou ficar atento.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Zumbis


O produtor cultural Ademir Pascale continua tendo ideias para antologias de contos fantásticos. Enquanto promove as já publicadas Dracúlea e Invasão, e acompanha no prelo Poe 200 anos e A metamorfose, já anunciou mais uma: Zumbis: quem disse que eles estão mortos?, pela Editora All Print, uma ideia que, se não é de toda original, me parece bastante curiosa, uma vez que as histórias de zumbis são marca registrada da indústria do cinema. Na literatura, esses mortos vivos tiveram pouca chance, geralmente mais associados aos vampiros. Veja só a proposta que Ademir divulgou:
"Em pleno século 21 eles foram quase esquecidos, mas nos espreitam constantemente pelas sombras. Sabe aquele friozinho na espinha que sentimos quando parece que alguém está escondido nos espiando? Pode acreditar, são eles: criaturas cadavéricas, mortos-vivos, seres infernais e catatônicos, ou popularmente zumbis. Afinal, quem disse que eles estão mortos? Fuja das sombras. Passe longe das tumbas. Corra o máximo que puder. Conheça a trajetória desses horríveis canibais em contos contundentes com heróis, mocinhas e cidades infestadas pelos malignos servos dos rituais necromânticos. Tome cuidado com o seu cérebro, pois eles poderão comê-lo."
Não sei bem o porquê, mas Ademir me convidou para fazer o prefácio do livro. Acho que ele associou o tema à minha aparência, já que pareço estar com um pé na cova, ou que acabei de sair dela, devido às olheiras. Ou então foi por causa do meu bafo de múmia, mas acho que isso ele ainda não sabe - nunca nos encontramos pessoalmente.
Mas não será propriamente um prefácio e sim algo mais a título de apresentação. Usualmente o prefaciador lê todo o material para fazer o seu trabalho, mas no caso só lerei o conteúdo quando o livro estiver impresso - sequer saberei os autores selecionados. Então espero não dar muita bola fora. Mas, para o bem e para o mal, está confirmada a minha colaboração.
Continuo apoiando e acreditando num bom resultado do trabalho de Ademir Pascale com essas antologias, algo que há muito tempo deveria vir sendo feito pelo fandom.
O organizador está aceitando submissões. Quem tiver interesse em participar, pode se informar aqui.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Anuários



O ano passado eu combinei com a Editora Tarja que não iria concorrer com ela vendendo exemplares do Anuário, mas este ano a editora liberou. Então, adquiri um lote de exemplares e, dessa forma, quem preferir pode comprar comigo. Tenho exemplares das edições de 2007 e 2008. Quem se interessar, entre em comigo pelo e-mail ceritosilva@yahoo.com.br para ter mais informações.
A Tarja continua vendendo os livros no seu site. Aliás, está com uma promoção, que inclui os dois Anuários mais outros cinco títulos por apenas R$75,00. Uma bagatela!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Galeria do Sobrenatural

Este livro eu ainda não vi, mas me parece garantido recomendá-lo, devido aos autores relacionados. Trata-se da antologia Galeria do Sobrenatural - Jornadas além da imaginação, organizada por Silvio Alexandre para a Editora Terracota.
O objetivo da antologia é comemorar os cinquenta anos da série de televisão Além da imaginação (Twilight zone), produzida e apresentada por Rod Serling na década de 1960. Então é de se esperar histórias exóticas com aquele finalzinho que faz a cabeça virar.
A seleta conta com trabalhos de Andréa Del Fuego, Braulio Tavares, Cavani Rosas, Cláudio Villa, Danny Marks, Fábio Fernandes, Giulia Moon, Jana Lauxen, Lucio Manfredi, Luis Filipe Silva, Márcia Olivieri, Mario Carneiro Jr., Max Mallmann, Miguel Carqueija, Octávio Aragão, Regina Drummond, Shirley Souza e Tatiana Alves.
O lançamento acontece no próximo dia 31 de outubro, a partir das 15 horas na Livraria Martins Fontes, Av. Paulista, 509, em São Paulo, quando devem comparecer alguns dos autores publicados. Na oportunidade, a jornalista Fernanda Furquim vai conduzir um batepapo sobre o seriado, depois da apresentação do episódio piloto, de 1959.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Um Jabuti para a fantasia brasileira


Já há muito tempo que o fandom brasileiro espera que o mainstream literário reconheça o valor de seus autores. Durante um tempo, fizemos nossos próprios prêmios - como o Prêmio Nova, que ajudei a promover durante alguns anos - na expectativa que a divulgação dos ganhadores pudesse influir de alguma forma nessa relação. Funcionou apenas internamente e, mesmo assim, durante pouco tempo, sem ter chegado a causar interesse fora dos muros do fandom.
Encerrada a aventuras dos prêmios, os olhos dos fãs voltaram-se para os prêmios literários consagrados, como o Prêmio Jabuti, o mais importante do país. Como alguns de nossos autores começaram a ser publicados em grandes editoras, renovou-se a esperança que a FC&F brasileira finalmente ganhasse visibilidade e pelo menos ombreasse o sucesso dos autores da chamada primeira onda da ficção científica brasileira. Fausto Cunha, um dos líderes daquela geração, escritor, tradutor e editor, ganhou um Jabuti em 1971 pelo ensaio O Romantismo no Brasil. E eu gosto de pensar que a ficção científica brasileira ganhou um Jabuti em 1977, quando Herberto Sales levou o prêmio pelo romance O fruto do vosso ventre, ainda que se possa questionar se ele e seus pares reconheciam que o romance era ficção científica de fato.
Enfim, como não me incomodo com essas polêmicas, pra mim não há nenhuma ansiedade. O fandom já ganhou pelo menos dois Jabutis - sem falar nos de ilustração, que são importantes mas não contam aqui porque são do pessoal dos quadrinhos, não da literatura.
Mesmo assim, não posso deixar de festejar efusivamente esta grande notícia: Braulio Tavares, um dos mais convictos e expressivos autores do fandom, ganhador de diversos Prêmios Nova, acaba de levar um Jabuti na categoria livro infantil pelo conto de fantasia A invenção do mundo pelo Deus-Curumim, publicado pela editora 34 Letras, que há alguns anos até tentou emplacar uma coleção de FC, mas infelizmente só ficou em duas edições. A história é inspirada em lendas indígenas e vem acompanhada pelas ilustrações de Fernando Vilela.

Cesar Silva e Braulio Tavares durante a III FantastiCon, em 2009.

Braulio Tavares é paraibano de Campina Grande, há anos radicado no Rio de Janeiro. Escritor, poeta, compositor e jornalista, autor dos livros O que é ficção científica, A espinha dorsal da memória/O mundo fantasmo e A máquina voadora, entre outros. Mantém uma coluna diária no Jornal da Paraíba, na qual fala de um bocado de coisas, inclusive ficção científica. Acompanho há anos esses textos divertidos, muitas vezes geniais, através de pacotes periódicos que Braulio gentilmente encaminha a minha caixa postal.
Braulio gosta de trabalhar com literatura infanto-juvenil e o faz muito bem. Em 1998 publicou, pela mesma editora, o livro infantil A pedra do meio-dia ou Arthur e Isadora, em que narra na forma de poemas de cordel uma aventura no estilo das histórias de fadas. Já merecia um Jabuti por ele, mas como se diz, o que é do homem o bicho não come. O prêmio é mais do que merecido.
Uma curiosidade – e não posso deixar de dizer que é motivo de orgulho para mim – é que o Hiperespaço foi a primeira publicação a veicular a ficção de Braulio Tavares, em sua edição 11, especial de contos, de 1986.
É bom saber que um autor que viajou no Hiperespaço e que acima de tudo é um amigo pessoal, realizou um feito dessa categoria.
Parabéns Braulio.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Dead snow

Neste feriado assisti ao curioso filme de horror Dead snow (Død snø no original, sem tradução em português), longa-metragem norueguês do diretor quase-estreante Tommy Wirkola, que antes só havia feito uma paródia a Kill Bill. Trata-se de um filme de zumbis em meio as neves eternas do norte da Europa, com efeitos especiais bacaninhas e muito, mas muito sangue e vísceras, para contrastar com a brancura da neve.
A história é bobinha e não tem muito apelo, sendo apenas o vetor para as divertidíssimas cenas de violência e desmembramento que fazem referência explícita a diversos clássicos do splatter, como Evil dead e A noite dos mortos vivos.
Um grupo de sete estudantes de medicina - quatro rapazes e três garotas - viajam de automóvel para uma retirada casa de campo nas montanhas da Noruega. A casa pertence a uma quarta garota, namorada de um dos rapazes, que decidiu chegar ao local de uma maneira algo mais desportiva: de esqui. A turma chega antes dela e se instalala no chalé. Ainda estão arrumando as coisas quando surge um homem misterioso à porta, que pede café e conta a lenda local, sobre um grupo de nazistas que, durante a segunda guerra mundial, assolou a região em busca de ouro e jóias, para depois desaparecer nas montanhas. O homem vai embora e, por acaso, um dos estudantes encontra sob o piso do chalé uma caixa de madeira cheia de moedas de ouro.

Quando chega a manhã, um dos rapazes decide sair a procura da namorada que ainda não chegou. Sozinho em meio ao campo nevado, ele encontra o cadáver estripado do homem que os visitara na noite anterior e acaba caindo num buraco no meio cheio de equipamentos nazistas para, em seguida, ter de enfrentar zumbis que o atacam com fúria. Enquanto isso, os três casais que ficaram no chalé têm de enfrentar uma tropa inteira desses monstros, que parecem não ter nenhum objetivo a não ser matar e esquartejar todos que cruzarem seu caminho.
A estrutura geral do filme lembra a de O albergue, com uma longa introdução em que se apresentam os personagens, mas ganha uma velocidade vertiginosa na parte final, com muita correria e sanguinolência, em que não faltam todo tipo de uso criativo para tripas, além de uma bem vinda motosserra.
Os zumbis deste filme não são lentos e erráticos como os que acostumamos ver nos filmes de George Romero: são muito ágeis, embora ainda bastante estúpidos.
O filme tem um toque trash, um clima falso mais ou menos como o Planeta terror ou A volta dos mortos-vivos, embora como estes seja bastante bem feito. Por isso, de uma forma geral, poderia classificar Dead snow como um filme de humor negro, porque a violência é tão exagerada que ao invés de medo, faz graça.
O filme é de 2009 e causou interesse no festival de Sundance. Provavelmente não será lançado no Brasil, sequer em DVD. Mas pelos préstimos da internet, e com algum trabalho, pode ser conseguido até legendado. Recomendo.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Guerra sem fim


Esta é provavelmente a melhor notícia do ano no que se refere a ficção científica literária. Trata-se do lançamento pela editora Landscape do livro de John "Joe" Haldeman Guerra sem fim, título brasileiro de Forever War, romance de guerra espacial publicado originalmente em 1975, que faturou o Hugo e Nebula, os principais prêmios norte-americanos para o gênero.
A história conta a experiência de um soldado numa guerra num tão planeta distante que, ao retornar depois de dois anos de serviço, ele não encontra mais o mundo de onde partiu, visto que por causa dos efeitos da relatividades, o tempo na Terra passou dezenas de anos mais rápido. E missões mais distantes ainda o aguardam.
Mas esse argumento não é o único apelo relevante do livro de Haldeman. Na verdade, histórias com esse mesmo conceito já foram escritas aos montes, entre elas o excelente O dilema do astronauta, (Starman's Quest, 1958) de Robert Silverbeg, publicado pela editora portuguesa Panorama. O que importa na ficção de Haldeman são os conceitos políticos ali discutidos, sobre a presença dos homens em guerras nas quais eles nunca deveriam se envolver. Essas ideias advém do fato de Haldeman ser veterano da guerra do Vietnã, condecorado com uma medalha por ferimentos em combate.

Os paralelos entre Guerra Eterna e sua experiência como soldado não são mera coincidência.
Haldeman é um escritor influente em seu país, os EUA, com vários outros Hugos e Nebulas no currículo. Atualmente é professor sênior de escrita criativa do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). No Brasil ele foi pouco - ou nada - publicado. Provavelmente seu único texto saiu no extinto fanzine Hipertexto publicado pela UFSCar, apenas porque seus editores tiveram a sorte de encontrá-lo pessoalmente num simpósio de ficção científica em Portugal e puderam negociar diretamente com o escritor.
A lamentar o fato de que o romance só ganhou sua publicação no Brasil depois que o diretor de cinema Ridley Scott (de Blade Runner e Alien) adquiriu seus direitos para uma versão filmada. Como tem sido patente nos últimos 20 anos, a publicação de uma ficção científica original parece ter que vir a reboque de um sub-produto audiovisual. É lamentável que as editoras brasileiras ditas profissionais ainda se comportem dessa forma. Pelo menos a Landscape teve a iniciativa de traduzir e publicar o livro sem esperar pelo filme, o que já é mais do que se poderia desejar. Outras editoras talvez não o fizessem. Ainda estou esperando, três anos depois, pela anunciada publicação da trilogia marciana de Kim Stanley Robinson. Mas como o filme não vai sair, acho que vou pôr as minhas barbas de molho.
Mais três coisas eu pessoalmente desgostei da edição brasileira de Forever War: primeiro, o título. A obra já era há anos conhecida no fandom como "Guerra Eterna", e essa teria sido a sua melhor tradução. Até porque houve uma novela na TV com o título de Guerra sem fim, e muita gente pode pensar que o livro é sua novelização. Segunda coisa, a imagem da capa, que não traduz nem de longe o clima do romance, parece capa de um romance de bolso dos anos 1950. Terceiro, o preço. A edição brasileira tem 304 páginas, e a editora sugere o preço de capa em R$54,90, um valor quase impraticável. Só fãs muito ardorosos vão embarcar nessa, e um livro dessa qualidade merecia ser lido mais amplamente. E será mesmo uma pena se, por causa disso, não tivermos a publicação dos romances subsequentes, Forever Free e Forever Peace, ambos também muito bons.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Rumo à fantasia


Volto hoje a falar de Rumo a fantasia, antologia de contos organizada por Roberto de Sousa Causo recentemente publicada pela editora Devir porque, enfim, com o final da greve dos correios, chegaram a minha residência alguns exemplares da publicação, da qual até então eu só tivera um vislumbre da capa.
Antes de mais nada agradeço a Douglas Quintas Reis, publisher da Devir, por ter me mandado esses exemplares, suficientes - por hora - para satisfazer minha ansiedade.
Com o livro nas mãos, posso reafirmar minha impressão inicial, de uma produção profissional, cuidadosa e caprichada. A começar pela ilustração da capa, de Vagner Vargas, que convida à leitura.
O miolo, com cerca de 200 páginas, é bem diagramado, com uma fonte confortável e cadernos costurados, um cuidado que poucos editores têm se preocupado ultimamente: posso abrir o livro à vontade com a certeza que as folhas não vão se esparramar pelo chão.
O conteúdo literário traz um ensaio do organizador contextualizando os parâmetros do gênero, e os seguintes trabalhos estrangeiros: os clássicos "Um habitante de Carcosa", do americano Ambrose Bierce e "O defunto" do português Eça de Queiroz, os importantes americanos "Uma praga de borboletas", de Orson Scott Card, o premiado "Os que se afastam de Omelas" de Ursula K. Le Guin e "A negação", de Bruce Sterling, e o pouco conhecido "Onde caem os anjos" do canadense Jean-Louis Trudel. De brasileiros, "História de Maldun, o mensageiro", fantasia ibérica de Braulio Tavares, "O lugar do mundo" de Daniel Fresnot; "Faerie: seguindo as sombras dos sonhos" de Rosana Rios, "O cavalheiro da espora de ouro" de Anna Creuza Zacharias; "Mapinguari" de Gian Danton (primeiro publicado em 1999 no fanzine Hiperespaço 44); "O bebedor de almas", de Roberto de Sousa Causo e "Mensagem na garrafa", de Cesar Silva.
No finalzinho, um breve agradecimento de Causo revela que boa parte dos contos desta antologia são remanescentes da extinta revista literária Quark, da MB Editora. Confesso que fiquei um pouco tocado com isso, porque ainda lamento o fim dessa saudosa publicação. Se as coisas tivessem se encaminhado de forma diferente e ela continuasse até hoje, a realidade editorial da nossa literatura fantástica certamente seria muito mais alvissareira.
O livro está recebendo boa divulgação entre os leitores através de sites e blogs como Contos Grotescos, Scarium, Homem Nerd, Hugo Vera, RPG News e Suplemento Cultural, aos quais como autor empenhado eu agradeço.
A Devir prepara o encontro de alguns destes autores numa palestra a acontecer em novembro, ainda sem dia definido, provavelmente na Biblioteca Viriato Corrêa em São Paulo, que pode funcionar como uma espécie de lançamento, embora o livro já esteja disponível na loja da editora e em sua rede de revendedores (mais detalhes aqui), e pela Devir.Net , ao preço de R$24,50.

domingo, 4 de outubro de 2009

Ranma 1/2

Esta semana chegou às bancas o primeiro número da série de histórias em quadrinhos Ranma 1/2, de autoria da mangaká Rumiko Takahashi para a Shonen Sunday da editora Shogakukan, de Tóquio, publicada no Brasil pela Editora JBC. Trata-se, portanto, de um mangá, que reputo como um dos mais divertidos desde Dragon Ball.
Ranma 1/2 conta os desencontros amorosos de vários casais de jovens lutadores de artes marciais, especialmente os prometidos Ranma Saotome e Akane Tendo, ambos filhos mais jovens dos herdeiros do dojo estilo vale-tudo, Genma Saotome e Soun Tendo.
Ranma e seu pai viajavam o mundo em busca de desafios para melhorar suas técnicas de luta, e foram a Jusenkyo, um lugar na China em que uma luta seria um desafio perigoso por causa de suas centenas de lagoas amaldiçoadas. Durante o treinamento, Ranma cai na lagoa da menina afogada, e seu pai na lagoa do urso panda afogado e ambos são amaldiçoados pelos espíritos que as assombram. Agora, toda vez que são molhados com água fria, Ranma torna-se uma linda garota, e seu pai, um enorme urso panda. Mas podem voltar ao normal se forem novamente molhados com água quente.
A confusão começa quando Ranma e seu pai voltam ao Japão para que o contrariado Ranma case-se com uma das três filhas do Sr. Tendo, e sem qualquer motivo especial, a eleita acaba sendo a mais jovem, Akane, que é exímia lutadora e odeia os meninos.
Como desgraça pouca é bobagem, Ranma atrai sobre si a atenção de um veterano da escola, o mestre em kendô Tatewaki Kuno, que odeia Ranma porque ele é noivo de Akane, por quem tem uma fixação doentia. Logo no primeiro confronto dos dois, Kuno depara-se com Ranma menina e apaixona-se a primeira vista. Ele é tão burro que não percebe que ambos são a mesma pessoa.
Isso tudo só no primeiro número; e a confusão não para por aí.
Uma apaixonada chinesinha chamada Shampoo segue Ranma ao Japão, disposta a não perder seu amor. Com ela vem sua avó, uma velhíssima feiticeira centenária, e seu pretendente chinês, tão estúpido quanto Kuno e ainda por cima, míope. Para complicar as coisas, Shampoo caiu na lagoa da gatinha afogada e seu pretendente na lagoa do pato afogado. Imaginem só o que acontece com eles quando são molhados...
Isso e muito mais guardam os 38 números desta comédia romântica que, apesar de indicada para leitores jovens, é levemente picante, com muitas situações eróticas e cenas de nudez. O grande mérito da novela são os personagens, um melhor que o outro, e a habilidade da autora para manipular o relacionamentos entre eles, em situações inusitadas engraçadíssimas.
Ranma 1/2 teve uma edição irregular no Brasil entre 1998 e 2004, pela editora Animangá, e sua versão em desenho animado já foi exibida aquil, sem um final definitivo.
Uma excelente leitura para jovens e adultos, com um humor competente e singelo, ainda que um tanto apelativo.

sábado, 3 de outubro de 2009

Perdidos no espaço


Muito por acaso, topei com a reprise do clássico seriado de FC Perdidos no espaço (Lost in space), produção dos anos 1960 da CBS que foi parte importante de minha juventude, junto com uma porção de outras coisas úteis e inúteis que consumi ao longo da vida.
O seriado conta as aventuras da Família Robinson, enviada numa espaçonave em forma de disco para colonizar um planeta distante, que perdeu no espaço sideral depois que um sabotador interferiu no computador de bordo.
Raramente tenho interesse de rever seriados antigos porque geralmente me decepciono com a aparência ou a linguagem deles aos meus olhos de adulto. Já não foi nem uma nem duas vezes que fiquei espantado com a falta de qualidade de um seriado que, décadas atrás, me parecia tão legal.
Um dos raros casos em que eu suportei bem as reprises, inclusive curtindo os defeitos especiais, foi o seriado Jornada nas estrelas, mais ou menos da mesma época de Perdidos no espaço, mas que na época fazia muito menos sucesso. Suas histórias mais cerebrais, com meninas de minissaias e beijos interraciais, jogava a exibição para altas horas de madrugada e raramente eu conseguia assistir a um episódio. A minha curiosidade pelos episódios perdidos me animava e eu acabei vendo todas as temporadas de ST mais de uma vez.
Perdidos no espaço, contudo, eu devo ter visto tudo na época. Era exibido em horário nobre, aos domingos, e no final dos anos 1960 era um grande sucesso da TV. Embora todos os aparelhos receptores fossem preto e branco, tinha até gente que jurava ver cores durante a exibição, tal era o fascínio pelo seriado. Por anos evitei rever qualquer episódio, porque tinha certeza que iria detestar e estragar as boas recordações do mesmo. Cai do cavalo.
Perdidos no espaço é tão bom hoje como foi há 40 anos. A interpretação magistral do elenco, especialmente do impagável Jonathan Harris como Dr. Smith, é divertidíssima. Aliás, um elenco que é colírio para os olhos de homens e mulheres; e o robô ainda guarda todo o carisma que tinha então.
As história são delicadas e inocentes, os efeitos visuais são funcionais e as vezes até surpreendem. E as fantasia grotescas dos alienígenas reportam aos clássicos monstros da Universal. Outro ponto alto é a trilha sonora que tem um vigor dramático intenso. A antiga dublagem é perfeita e ainda bem que a mantiveram.
Os episódios são exibidos às 7 horas da manhã pela Rede Brasil (canal 14 da operadora Net) e não consigo sair para o trabalho sem ver o final dramático de cada episódio, com o famoso gancho para o seguinte, com um dos protagonistas em situação de perigo.
Esta semana, uma pequena pérola, foi exibido o antológico episódio "A guerra dos robôs", da primeira temporada, toda produzida em preto em branco. Robby, o robô negro de O planeta proibido, contracena com o elenco e por algum tempo torna-se o robô da família Robinson.
Sei que a primeira temporada é, de fato, mais caprichada que as outras (foram três ao todo) mas, mesmo assim, é um feito que um seriado de FC de pouquíssimos recursos técnicos sob os atuais padrões, consiga ainda entreter nesse nível de qualidade. Minha filha Fernanda, de apenas 10 anos, acompanhou um desses episódios com extremo interesse.
Portanto, eis aqui um seriado que vale a pena ver. Não importa a idade, quando o que se pretende é um bom seriado de aventuras.
Um ótimo contraponto ao lamentável Harper's Island, recentemente exibido pelo SBT, que eu só assisti de teimoso. Mas este é melhor nem comentar.